Geopolítica › Acordo Mercosul–EFTA › Celulose e papel
Guia do setor · Indústria de base
Acordo Mercosul–EFTA: o que muda para celulose e papel
Papel e celulose brasileiros entram sem tarifa na Islândia desde 1º/10/2026 e na Noruega a partir de 1º/11/2026. Na Suíça, que em 2025 recebeu quase todas as vendas do setor ao bloco, o acordo ainda não vale, e no Brasil a tarifa sobre o papel europeu cai devagar: a maior parte só zera em 2034.
Navegar pelas guias
Em uma frase
Em 2025, US$ 1,0 milhão dos US$ 1,1 milhão que o setor exportou à EFTA foram para a Suíça, onde o acordo ainda não está em vigor: o ganho real depende de você abrir mercado na Noruega a partir de 1º/11/2026.
Quando muda: o calendário
- 1º/10/2026O acordo entra em vigor entre Brasil e Islândia. Papel e celulose brasileiros passam a entrar isentos. No Brasil, começam os cortes de tarifa para produtos islandeses.
- 1º/11/2026O acordo passa a valer entre Brasil e Noruega. Isenção total para papel e celulose brasileiros. Primeiro corte da tarifa brasileira sobre papel norueguês.
- 1º/1/2027Novo corte anual da tarifa brasileira sobre papel e celulose da Islândia e da Noruega. Os cortes seguintes também entram sempre em 1º de janeiro.
- 1º/1/2030Zera a tarifa brasileira sobre a pasta química para dissolução (4702.00.00) vinda dos países onde o acordo vale.
- 1º/1/2034Zera a tarifa da maior parte dos papéis (categoria 8): papel ondulado (4808), kraft (4804), pergaminho e similares (4806), papel colado (4807) e boa parte do 4811.
- 1º/1/2036 e 1º/1/2041Zeram as linhas da categoria 10, como alguns papéis do 4811 em tiras e as outras embalagens (4819.50.00), em 2036. A caixa dobrável não ondulada (4819.20.00) zera em 2041.
O que muda para o setor
Papel e celulose (capítulos 47 e 48) são tratados como produtos industriais. Nos quatro países da EFTA, eles ficam isentos desde o primeiro dia em que o acordo vale naquele país. Não há escalonamento nem cota.
O acordo vale país a país. Islândia: em vigor desde 1º/10/2026. Noruega: a partir de 1º/11/2026. Suíça e Liechtenstein: ainda não. Nesses dois países continua valendo a tarifa normal, porque a Suíça enfrenta um referendo popular.
Esse é o ponto central para você. Em 2025, o setor exportou US$ 1,1 milhão para a EFTA, e US$ 1,0 milhão foi para a Suíça. Para Noruega e Islândia, as vendas foram praticamente nulas. Ou seja, o benefício ainda não chegou ao destino onde o setor já vende.
No sentido contrário, o Brasil importou US$ 9,7 milhões em papel e celulose da EFTA em 2025: US$ 7,3 milhões da Suíça e US$ 2,3 milhões da Noruega. A tarifa brasileira cai aos poucos e, por enquanto, só para produtos da Islândia e da Noruega. Classificamos o impacto como baixo: os valores são pequenos para um setor com 10.573 empresas ativas, o ganho imediato exige abrir mercado novo e a concorrência cresce devagar.
Quais produtos ganham e quais ficam de fora
Para exportar (Islândia, Noruega e, no futuro, Suíça/Liechtenstein): os capítulos 47 (celulose e papel recuperado) e 48 (papel, cartão e seus artigos) inteiros ficam com tarifa zero. Nenhuma linha do setor fica de fora.
O que o Brasil cobra do papel e da celulose da EFTA (só de onde o acordo já vale):
| Produto (NCM) | Alíquota-base | Quando zera |
|---|---|---|
| 4804.31.10, 4804.39.10, 4804.59.10, 4811.51.23, 4811.51.28 | 0% | Já isentos na entrada em vigor |
| Pasta para dissolução (4702.00.00) | 3,6% | 1º/1/2030 (5 cortes) |
| Papel ondulado (4808), kraft (4804, demais linhas), pergaminho e impermeável a gorduras (4806), papel colado (4807.00.00), maioria do 4811 | 10,8% (4811.59.10: 14,4%) | 1º/1/2034 (9 cortes) |
| 4811 em tiras ou rolos até 15 cm (4811.10.10, 4811.41.10, 4811.49.10, 4811.51.10, 4811.60.10); outras embalagens (4819.50.00) | 14,4% | 1º/1/2036 (11 cortes) |
| Caixas dobráveis não onduladas (4819.20.00) | 14,4% | 1º/1/2041 (16 cortes) |
| Caixas de papelão ondulado (4819.10.00), sacos (4819.30.00 e 4819.40.00), cartonagens para escritório (4819.60.00), etiquetas (4821.10.00 e 4821.90.00) | — | Excluídos: vale a TEC, sem redução |
Nas importações de 2025 vindas da EFTA, 5,7% já tinham tarifa zero. Outros 11,7% zeram entre 2027 e 2030, 65,7% entre 2031 e 2034, 4,4% em 2035–2036 e 1,1% entre 2037 e 2041. Já 11,5% nunca zeram.
Atenção: algumas posições, como 4820 (cadernos e blocos) e 4821 (etiquetas impressas), também envolvem a indústria gráfica e de papelaria. Parte dos valores pode não ser do seu segmento. Confirme a NCM exata do seu produto com o despachante.
Os números do setor com a EFTA
Valores FOB de 2025 (ComexStat/MDIC). O acordo vale com a Islândia desde 1º/10/2026 e com a Noruega desde 1º/11/2026; Suíça e Liechtenstein ainda não.
| País | Exportações do Brasil | Importações do Brasil |
|---|---|---|
| Suíça | US$ 1,0 mi | US$ 7,3 mi |
| Noruega | US$ 45 mil | US$ 2,3 mi |
| Islândia | US$ 299 | US$ 134 |
| Liechtenstein | US$ 0 | US$ 0 |
Quando a tarifa brasileira sobre produtos da EFTA chega a zero
| Prazo | % das importações de 2025 |
|---|---|
| já era zero | 5,7% |
| 2027–2030 | 11,7% |
| 2031–2034 | 65,7% |
| 2035–2036 | 4,4% |
| 2037–2041 | 1,1% |
| não zera | 11,5% |
Guia completa · grátis
Leia a guia completa de celulose e papel
Cadastre o seu e-mail e libere na hora a guia completa, e todas as outras guias da NanoIris. Sem custo.
- Oportunidades para quem exporta
- Riscos: a concorrência da EFTA no Brasil
- Suíça: o que esperar
- Regras de origem: o essencial
- O que fazer agora: checklist
Perguntas frequentes
O acordo Mercosul–EFTA já está valendo para papel e celulose?
Sim, na Islândia desde 1º/10/2026 e na Noruega a partir de 1º/11/2026. Na Suíça e em Liechtenstein ainda não: lá continua a tarifa normal.
Qual a tarifa para exportar papel brasileiro para a Noruega?
Zero, a partir de 1º/11/2026, para todo o capítulo 48 (papel e cartão) e o capítulo 47 (celulose), desde que o produto seja originário e tenha prova de origem.
Quando o papel suíço vai entrar sem tarifa no Brasil?
Só depois que o acordo entrar em vigor para a Suíça, o que depende de um referendo ainda sem data confirmada. Mesmo então, a maioria dos papéis só zera em 1º/1/2034.
Caixas de papelão ondulado vão ter tarifa reduzida na importação?
Não. Caixas de papelão ondulado (4819.10.00), sacos (4819.30.00 e 4819.40.00), cartonagens (4819.60.00) e etiquetas (4821) estão excluídas e continuam com a TEC.
Preciso de certificado de origem para exportar para a EFTA?
Você pode escolher: declaração de origem feita por você na fatura (válida por 1 ano) ou certificado emitido por entidade autorizada. Guarde os documentos por 3 anos.
Posso usar insumos importados e manter a origem brasileira?
Depende da regra da sua posição no Apêndice 1. Há tolerância de até 10% do preço ex-works para insumos que não cumprem a regra, e insumos de países do acordo e, em certos casos, da UE podem contar como originários.
Precisa de mais do que uma guia?
A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.
Guia informativa, não é consultoria aduaneira. O código que vale para exportar é o da pauta do país importador; confirme a classificação com o seu despachante e o importador.
Fontes
- Decreto nº 13.126/2026 (Planalto): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/decreto/d13126.htm
- Portaria SECEX nº 544/2026 (DOU): https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-secex-n-544-de-30-de-setembro-de-2026-736015525
- MDIC, notícia de 02/10/2026 sobre a regulamentação das cotas: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2026-periodo-eleitoral/outubro/governo-regulamenta-uso-de-cotas-previstas-no-acordo-mercosul2013efta
- Siscomex, página do acordo Mercosul–EFTA: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/mercosul-efta
- Anexo II – Cronograma de desgravação do Mercosul: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/arquivos/2026/acordo-mercosul-efta/textos-em-portugues/08-mercosul-efta-anexo-ii-cronograma-de-desgravacao-do-mercosul.pdf
- Manual de Desgravação Tarifária (MDIC): https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/arquivos/2026/acordo-mercosul-efta/manuais/2907_efta_desgravacao-tarifaria_v5-1.pdf
- Anexo I – Regras de origem: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/arquivos/2026/acordo-mercosul-efta/textos-em-portugues/02-mercosul-efta-anexo-i-regras-de-origem.pdf
- Manual de Regras de Origem (MDIC): https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/arquivos/2026/acordo-mercosul-efta/manuais/1808_efta_manual-regras-de-origem_v3.pdf
- Parlamento suíço, votações: https://www.parlament.ch/poly/Abstimmung/52/out/vote_52_32712.pdf e https://www.parlament.ch/poly/Abstimmung/52/out/vote_52_32913.pdf
- Verdes suíços, anúncio do referendo: https://gruene.ch/medienmitteilungen/breite-zivilgesellschaftliche-allianz-ergreift-referendum-gegen-mercosur-abkommen
- CNI (Portal da Indústria), análise sobre o acordo Mercosul–EFTA
- Acordo Mercosul–EFTA, Anexos II a V (cronogramas)
- ComexStat/MDIC — comércio com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein
- Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)
