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Acordo Mercosul–EFTA: o que muda para químicos e fertilizantes
Os produtos químicos e fertilizantes brasileiros (capítulos 28, 29, 31, 32 e 38) entram sem imposto na Islândia desde 1º/10/2026 e na Noruega a partir de 1º/11/2026. No Brasil, a maior parte do que vem da EFTA já não pagava tarifa, e o restante cai aos poucos até 2041. A Suíça, de onde vem a maior parte das importações, ainda não aplica o acordo.
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Em uma frase
A partir de 1º/11/2026 a Noruega, destino de US$ 1.020,4 milhões das exportações do setor em 2025, isenta todos os químicos e fertilizantes industriais brasileiros que cumprirem as regras de origem.
Quando muda: o calendário
- 1º/10/2026Acordo em vigor entre Brasil e Islândia. Os produtos industriais do setor entram isentos na Islândia, e o Brasil aplica a primeira etapa de redução sobre os produtos islandeses.
- 1º/11/2026Acordo em vigor entre Brasil e Noruega. Isenção para os químicos e fertilizantes brasileiros na Noruega e primeira etapa de redução no Brasil para os produtos noruegueses.
- 2027 ou depois (a confirmar)Possível entrada em vigor para Suíça e Liechtenstein. Na Suíça há um referendo em curso, e a data ainda é incerta.
- 1º/1/2030Tarifa zero no Brasil para os produtos da categoria 4 vindos da EFTA, como vários adubos das posições 3102 e 3105.
- 1º/1/2034Tarifa zero para a categoria 8, como o ácido cítrico (2918.14.00), o ácido láctico (2918.11.00) e a fenilidrazina (2928.00.41).
- 1º/1/2036 e 1º/1/2041Tarifa zero para as categorias 10 (por exemplo, aceleradores benzotiazólicos da 2934.20) e 15 (por exemplo, metronidazol, 2933.29.12).
O que muda para o setor
O acordo entre o Mercosul e a EFTA (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein) já vale para a Islândia desde 1º/10/2026. Para a Noruega, passa a valer em 1º/11/2026. Na Suíça e em Liechtenstein ainda não vale: a Suíça enfrenta um referendo, e lá continua a tarifa normal.
Para quem exporta, a mudança é simples. Os produtos industriais dos capítulos 28, 29, 31, 32 e 38 são tratados como NAMA (produtos não agrícolas) e ficam isentos desde o primeiro dia em cada país onde o acordo está em vigor. Não há escalonamento do lado da EFTA. Quanto você ganha de fato depende da tarifa que pagava antes, e isso vale a pena confirmar para o seu produto.
O comércio do setor com a EFTA já é relevante. Em 2025 as exportações foram de US$ 1.241,1 milhões, quase tudo para a Noruega (US$ 1.020,4 milhões) e a Islândia (US$ 212,9 milhões). Para a Suíça foram só US$ 7,8 milhões. Há, porém, uma forte concentração: a posição 2818 (corindo artificial e óxido de alumínio) respondeu por US$ 1.219,7 milhões. Para a maioria das empresas do setor, a oportunidade é abrir mercado, não ampliar um fluxo que já existe.
Do lado das importações (US$ 1.221,5 milhões em 2025), a maior parte vem da Suíça (US$ 965,4 milhões), onde o acordo ainda não vale, e da Noruega (US$ 255,4 milhões). Segundo nossa estimativa, 68,4% do valor importado já entrava com tarifa zero. O restante cai aos poucos até 2041, e 2,5% não chega a zero. Por isso classificamos o impacto como oportunidade: o acesso aos países onde o acordo já vale é imediato, e a pressão da concorrência no Brasil é gradual e limitada.
Quais produtos ganham e quais ficam de fora
Exportando para a EFTA (o que eles cobram de você):
- Capítulos 28, 29, 31, 32 e 38 (industriais/NAMA): isentos na Islândia, na Noruega e, quando o acordo valer lá, na Suíça e em Liechtenstein.
- Algumas linhas do setor são classificadas como agrícolas. Na Noruega, 100 linhas do setor aparecem como isentas e 5 como excluídas. Na Suíça, 40 têm direito zero e 2 não são cobertas (NC), como a 3809.1010 (agentes de acabamento à base de amido para alimentação animal). Na Islândia, as linhas consultadas aparecem com direito zero. Confirme a sua linha.
- Atenção: o código que vale é o da pauta do país importador (SH 2022 nacional), não a NCM da sua fatura.
Importando da EFTA (o que o Brasil cobra, ou seja, a sua concorrência):
| Produto (NCM) | Tarifa-base | Tarifa zero em |
|---|---|---|
| Dipirona, carbidopa, vitaminas A, B1, B2, B6 e muitos outros (categoria 0) | 0% | Já na entrada em vigor |
| Adubos 3105.51.00, 3105.60.00, 3105.90.90 e 3102.80.00 | 3,6% | 1º/1/2030 |
| Adubo 3102.10.90 | 5,4% | 1º/1/2030 |
| Adubo 3105.10.00 (em tabletes) | 5,4% | 1º/1/2034 |
| Ácido cítrico, láctico e tartárico (2918.11, 2918.12, 2918.14) | 10,8% | 1º/1/2034 |
| Vitamina B12 (2936.26.10) | 12,6% | 1º/1/2034 |
| Benzotiazóis, como 2934.20.10 e 2934.20.40 | 12,6% | 1º/1/2036 |
| Metronidazol (2933.29.12) e dietanolamidas de ácidos graxos (2924.19.94) | 12,6% | 1º/1/2041 |
| Hidroxocobalamina (2936.26.30) | TEC | Excluída: não cai |
Os cortes são anuais e iguais, sempre em 1º de janeiro. Algumas linhas de adubo nas categorias com prazo, como 3105.20.00, 3105.30.00 e 3102.21.00, já têm base 0%: na prática, não pagam imposto de importação. Os itens excluídos do setor se concentram no capítulo 38 (100 linhas) e no 29 (25 linhas).
Atenção: as posições 2928, 2933, 2934 e 2936 incluem muitos princípios ativos farmacêuticos e vitaminas. Parte do valor importado pode não ser do seu segmento.
Os números do setor com a EFTA
Valores FOB de 2025 (ComexStat/MDIC). O acordo vale com a Islândia desde 1º/10/2026 e com a Noruega desde 1º/11/2026; Suíça e Liechtenstein ainda não.
| País | Exportações do Brasil | Importações do Brasil |
|---|---|---|
| Suíça | US$ 7,8 mi | US$ 965 mi |
| Noruega | US$ 1,0 bi | US$ 255 mi |
| Islândia | US$ 213 mi | US$ 693 mil |
| Liechtenstein | US$ 14 mil | US$ 15 mil |
Quando a tarifa brasileira sobre produtos da EFTA chega a zero
| Prazo | % das importações de 2025 |
|---|---|
| já era zero | 68,4% |
| imediato (2026) | 0,0% |
| 2027–2030 | 5,5% |
| 2031–2034 | 14,8% |
| 2035–2036 | 7,3% |
| 2037–2041 | 1,4% |
| não zera | 2,5% |
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- Oportunidades para quem exporta
- Riscos: a concorrência da EFTA no Brasil
- Suíça: o que esperar
- Regras de origem: o essencial
- O que fazer agora: checklist
Perguntas frequentes
O acordo Mercosul–EFTA já está valendo para produtos químicos?
Sim, na Islândia desde 1º/10/2026 e na Noruega a partir de 1º/11/2026. Os químicos e fertilizantes industriais entram isentos. Na Suíça e em Liechtenstein ainda não vale.
Quando a Suíça vai aplicar o acordo Mercosul–EFTA?
Ainda não há data. O parlamento aprovou em setembro de 2026, mas foi lançado um referendo. A entrada em vigor é improvável antes de 2027, e isso ainda precisa ser confirmado.
Fertilizantes da Noruega vão entrar no Brasil sem imposto?
Muitas linhas já tinham tarifa-base zero. As que pagam 3,6% ou 5,4%, como 3105.51.00 e 3102.10.90, zeram em 1º/1/2030. A 3105.10.00 zera em 1º/1/2034.
Preciso de certificado de origem para exportar para a Noruega?
Você pode escolher entre a declaração de origem na fatura (autocertificação) e o certificado emitido por entidade competente. O produto precisa cumprir a regra de origem da sua posição.
Qual código uso para pedir a isenção na Islândia ou na Noruega?
O código da pauta do país importador (SH 2022 nacional), não a NCM da fatura. Confirme com o seu despachante.
Algum produto químico ficou fora do acordo no Brasil?
Sim. Há linhas excluídas, que continuam pagando a TEC, sobretudo no capítulo 38 (100 linhas) e no 29 (25), como a hidroxocobalamina (2936.26.30).
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A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.
Guia informativa, não é consultoria aduaneira. O código que vale para exportar é o da pauta do país importador; confirme a classificação com o seu despachante e o importador.
Fontes
- Decreto nº 13.126/2026 (Planalto)
- Portaria SECEX nº 544/2026 (Diário Oficial da União)
- Texto do Acordo Mercosul–EFTA e Anexos I a V (Siscomex/MDIC)
- Manual de Desgravação Tarifária e Manual de Regras de Origem (MDIC)
- Notícia do MDIC de 02/10/2026 sobre a regulamentação das cotas
- Registros de votação do Parlamento suíço (parlament.ch)
- Comunicado dos Verdes suíços sobre o referendo (gruene.ch)
- CNI (Portal da Indústria)
- Acordo Mercosul–EFTA, Anexos II a V (cronogramas)
- ComexStat/MDIC — comércio com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein
- Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)
