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Acordo Mercosul–UE: o que muda para vinícolas e produtores de vinho
O Brasil importou US$ 231,7 milhões em vinhos da União Europeia em 2025 e exportou só US$ 1,1 milhão para lá. Com o acordo, a tarifa brasileira sobre o vinho europeu em garrafa cai aos poucos até zerar em 1º/1/2034, enquanto o vinho brasileiro ganha acesso mais barato à Europa.
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Em uma frase
A tarifa de 27% sobre o vinho europeu engarrafado cai todo ano e chega a zero em 1º/1/2034: você tem cerca de sete anos para ficar mais competitivo no seu próprio mercado.
Quando muda: o calendário
- maio de 2026O acordo entra em vigor. Começa a redução da tarifa brasileira sobre o vinho europeu em garrafa, o champanha e os recipientes de até 5 l. A UE zera a tarifa para vermutes brasileiros (2205). O Mercosul passa a proteger 344 indicações geográficas europeias.
- 1º de janeiro de 2027Segundo corte anual das tarifas, dos dois lados. Os cortes se repetem todo 1º de janeiro.
- 1º de janeiro de 2030A UE zera a tarifa sobre o vinho tranquilo brasileiro em garrafas de até 2 l (com DOP, com IGP, de casta e outros).
- 1º de janeiro de 2034O Brasil zera a tarifa sobre o vinho europeu em garrafas de até 2 l (hoje 27%), em recipientes de até 5 l e sobre o tipo champanha (hoje 20%).
- 1º de janeiro de 2036O Brasil zera a tarifa sobre vermutes e vinhos aromatizados europeus (2205), hoje em 20%.
- 2038Os espumantes comuns abaixo de US$ 8/litro FOB chegam a tarifa zero, nos dois sentidos. Acima desse preço, a regra do acordo é diferente.
O que muda para o setor
O vinho é um dos setores em que o comércio com a Europa é mais desequilibrado. Em 2025 o Brasil importou US$ 231,7 milhões em vinhos e vermutes da UE. No mesmo ano, exportou US$ 1,1 milhão. Por isso, para quem produz no Brasil, o efeito principal do acordo está aqui dentro: o vinho europeu vai ficar mais barato na prateleira.
A tarifa brasileira sobre o vinho europeu em garrafa de até 2 litros é hoje de 27%. Ela cai em cortes anuais iguais e chega a zero em 1º/1/2034. Do outro lado, a UE também reduz a tarifa sobre o vinho brasileiro. O vinho tranquilo engarrafado chega a zero em 1º/1/2030.
O setor tem 1.214 empresas ativas no Brasil, a maioria pequena: 656 microempresas e 262 de pequeno porte. O Rio Grande do Sul concentra 715 delas, seguido por SC (130), SP (93), PR (75), MG (69) e PE (33). Entidades do setor, como a Uvibra, já manifestaram preocupação com a concorrência, segundo o portal Movimento Econômico.
Ainda é cedo para ver efeitos nos números. De maio a setembro de 2026, as importações de vinho da UE subiram 2,0%. Antes do acordo, de janeiro a abril, já subiam 12,1%. As exportações caíram 69,0% de maio a setembro, mas já caíam 58,8% de janeiro a abril. Essa queda começou antes do acordo e não é efeito dele.
Quais produtos ficam de fora e quais caem
Tarifa do Brasil sobre o vinho europeu (concorrência no seu mercado):
| NCM | Produto | Tarifa hoje | Quando zera |
|---|---|---|---|
| 2204.21.00 | Vinho em recipientes de até 2 l (garrafa) | 27% | 1º/1/2034 |
| 2204.10.10 | Espumante tipo champanha | 20% | 1º/1/2034 |
| 2204.22.11 | Vinho em recipientes de até 5 l | 20% | 1º/1/2034 |
| 2204.10.90 | Outros espumantes | 20% | Zero só acima de US$ 8/litro FOB; abaixo, zero em 2038 |
| 2205.10.00 e 2205.90.00 | Vermutes e vinhos aromatizados | 20% | 1º/1/2036 |
| 2204.22.19, 2204.29.10 | Vinho a granel e em recipientes maiores | 20% | Excluído: não cai |
| 2204.22.20, 2204.29.20, 2204.30.00 | Mostos de uva | 20% | Excluído: não cai |
Tarifa da UE sobre o vinho brasileiro (oportunidade de exportar):
- Vermutes e vinhos aromatizados (2205.10.10, 2205.10.90, 2205.90.10, 2205.90.90): zero desde 1º/5/2026.
- Vinho tranquilo em garrafas de até 2 l (2204.21.06 DOP, 2204.21.07 IGP, 2204.21.08 de casta, 2204.21.09 outros): zero em 1º/1/2030, em 5 cortes.
- Espumantes (2204.10.93 outros, 2204.10.94 com IGP, 2204.10.96 de casta, 2204.10.98 outros): zero acima de US$ 8/litro FOB; abaixo desse preço, zero só em 2038.
As linhas europeias com nomes de regiões, como Bordeaux, Toscana ou Champanhe, são exclusivas de vinhos daquelas regiões. Não se aplicam ao vinho brasileiro.
Confirme a NCM exata do seu produto com o despachante. As planilhas oficiais são indicativas: em caso de divergência, vale o texto do acordo.
Os números do setor com a União Europeia
Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.
| 2024 | 2025 | Desde maio/2026 | Variação | |
|---|---|---|---|---|
| Exportações do Brasil para a UE | US$ 844 mil | US$ 1,1 mi | US$ 142 mil | -69% |
| Importações do Brasil vindas da UE | US$ 208 mi | US$ 232 mi | US$ 104 mi | +2% |
O que o Brasil mais vende do setor para a UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 2204 | Vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluídos os da posição 2009 | US$ 1,1 mi |
| 2205 | Vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromáticas | US$ 319 |
O que o Brasil mais compra do setor da UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 2204 | Vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluídos os da posição 2009 | US$ 231 mi |
| 2205 | Vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromáticas | US$ 413 mil |
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- Oportunidades para quem exporta
- Riscos: a concorrência europeia no Brasil
- De onde vêm os concorrentes europeus
- Insumos e máquinas mais baratos
- O que fazer agora: checklist
Perguntas frequentes
O vinho europeu vai ficar mais barato no Brasil com o acordo Mercosul-UE?
Sim, aos poucos. A tarifa de 27% sobre o vinho em garrafa de até 2 l cai todo ano e chega a zero em 1º/1/2034. O preço final também depende de impostos internos e do câmbio.
Quais vinhos ficam fora da redução de tarifa?
O vinho a granel e em recipientes maiores (2204.22.19 e 2204.29.10) e os mostos (2204.22.20, 2204.29.20 e 2204.30.00) estão excluídos. A tarifa de 20% não cai.
Quando o vinho brasileiro entra sem tarifa na União Europeia?
Vermutes, desde 1º/5/2026. Vinho tranquilo em garrafa de até 2 l, em 1º/1/2030. Espumantes, já agora acima de US$ 8/litro FOB; abaixo desse preço, em 2038.
Posso continuar usando o nome Prosecco no meu espumante?
Segundo o MDIC, há um prazo de transição de 10 anos para o uso de 'Prosecco' no Brasil. Depois disso, o nome fica reservado ao produto italiano. Planeje a troca do rótulo.
O acordo já aumentou a importação de vinho europeu?
Ainda não de forma clara. De maio a setembro de 2026 a alta foi de 2,0%, menor que os 12,1% de janeiro a abril, antes do acordo.
Quais países europeus mais vendem vinho ao Brasil?
Em 2025: Portugal (US$ 84,4 milhões), França (US$ 64,0 milhões), Itália (US$ 49,5 milhões) e Espanha (US$ 32,0 milhões).
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Fontes
- Anexo 2-A do Acordo Mercosul–UE (cronogramas tarifários) e planilhas SECEX
- Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
- MDIC – Acordo MERCOSUL-UE: Manual de Indicações Geográficas (IGs)
- Comissão Europeia – fichas informativas sobre o acordo
- Regulamento (UE) 2026/687 (salvaguarda agrícola)
- Movimento Econômico (declarações da Uvibra)
- Food Ingredients First (CEEV e ProWein)
- La Sicilia e Beverfood (Unione Italiana Vini)
- ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
- Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)
