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Acordo Mercosul–UE: o que muda para a indústria de calçados

Desde 1º de maio de 2026, a Europa zerou a tarifa sobre partes de calçado brasileiras, e o calçado pronto fica livre de imposto em etapas até 2036. Do lado brasileiro a abertura é bem mais lenta: quase um quarto das importações europeias fica de fora, e o resto só chega a zero entre 2035 e 2041.

Guia gratuitaOportunidadeAtualizada em 8 de outubro de 2026
13.589empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
US$ 194 miexportações para a UE em 2025importações: US$ 60 mi
-2%exportações para a UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
+13%importações da UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
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Em uma frase

A UE já zerou a tarifa sobre 43,6% do que o setor exporta para o bloco, enquanto a tarifa brasileira de 35% sobre o calçado de couro europeu só chega a zero em 1º/1/2041.

Quando muda: o calendário

  1. maio de 2026A UE zera a tarifa sobre todas as partes de calçado (posição 6406, antes 3%) e sobre a maior parte da posição 6405. No Brasil começa a redução gradual das tarifas sobre o calçado europeu que não foi excluído.
  2. 1º de janeiro de 2027Novo corte anual dos dois lados: cai a tarifa da UE sobre o calçado brasileiro e a do Brasil sobre o calçado europeu (exceto os excluídos).
  3. 1º de janeiro de 2030Tarifa zero na UE para o calçado de couro com salto acima de 3 cm (6403.59.11, antes 5%).
  4. 1º de janeiro de 2033Tarifa zero na UE para quase todo o calçado com parte superior de couro (6403, antes 8%).
  5. 1º de janeiro de 2036Tarifa zero na UE para o calçado de borracha, plástico e têxtil (6402, 6404, 6401 e 6405.90.10, antes perto de 17%). No Brasil zera a tarifa sobre calçado europeu para esqui e snowboard (antes 20%).
  6. 1º de janeiro de 2041O Brasil zera a tarifa sobre a maior parte do calçado de couro europeu (6403, antes 35%) e sobre cabedais e algumas partes (antes 18%).

O que muda para o setor

O acordo entre Mercosul e União Europeia vale provisoriamente desde 1º de maio de 2026. No Brasil, ele foi incorporado pelo Decreto nº 12.953. Para o calçado, a mudança é desigual entre os dois lados, e isso joga a seu favor.

Do lado europeu (sua chance de exportar): a tarifa média da UE sobre o calçado brasileiro era de 9,9%. Agora ela cai até zero. Uma parte já zerou: 43,6% do que o setor vendeu à UE em 2025 entrou na lista de tarifa zero imediata, puxada pelas partes de calçado. O restante zera em etapas até 1º/1/2036.

Do lado brasileiro (concorrência no seu mercado): a tarifa média do Brasil sobre o calçado europeu é bem maior, de 31,8%, e cai muito mais devagar. 23% do que o Brasil importa da UE ficou excluído, ou seja, a tarifa não cai. Outros 69,9% só chegam a zero entre 2037 e 2041.

O tamanho do jogo também favorece o Brasil. Em 2025 o setor exportou US$ 194,2 milhões para a UE e importou US$ 59,6 milhões de lá. O Brasil tem 13.589 empresas ativas no setor, a maioria microempresas (10.394), concentradas no RS (4.195), em SP (4.137) e em MG (2.638).

Quais produtos ficam de fora e quais caem

1) Tarifa da UE sobre o calçado brasileiro (exportação)

Código (UE)ProdutoTarifa antesZero em
6406 (todas as linhas)Partes de calçado: cabedais, solas, saltos, palmilhas, conjuntos3%1º/5/2026 (já)
6405.10.00, 6405.20.10, 6405.20.91, 6405.20.99, 6405.90.90Outros calçados (parte superior de couro, de têxtil, sola de madeira/cortiça etc.)3,5% a 4%1º/5/2026 (já)
6403.59.11Calçado de couro com salto acima de 3 cm5%1º/1/2030
6403 (demais linhas)Calçado com parte superior de couro (homem, senhora, infantil, pantufas, biqueira de metal, esqui)8%1º/1/2033
6402 (todas)Calçado de borracha ou plástico16,8% a 17%1º/1/2036
6404 (todas)Calçado com parte superior têxtil, incluindo esportivo16,9% a 17%1º/1/2036
6401 (todas)Calçado impermeável de borracha ou plástico17%1º/1/2036
6405.90.10Outros calçados com sola de borracha, plástico ou couro17%1º/1/2036

Na exportação para a UE, nenhum produto do setor ficou excluído.

2) Tarifa do Brasil sobre o calçado europeu (concorrência)

Código (NCM)ProdutoTarifa antesSituação
6404.11.00, 6404.19.00, 6404.20.00Calçado com parte superior têxtil, incluindo esportivo35%Excluído, não cai
6402.19.00, 6402.91.90, 6402.99.90Calçado de borracha/plástico ("outros")35%Excluído
6405 (todas)Outros calçados35%Excluído
6401 (todas)Calçado impermeável35%Excluído
6406.20.00 e 6406.90.20Solas e saltos de borracha/plástico; palmilhas18%Excluído
6403.12.00 e 6402.12.00Calçado para esqui e snowboard20%Zero em 1º/1/2036
6403 (demais linhas)Calçado com parte superior de couro35%Zero em 1º/1/2041 (16 etapas)
6402.20.00, 6402.91.10, 6402.99.10Calçado de borracha/plástico com tiras ou com biqueira de metal35%Zero em 1º/1/2041
6406.10.00, 6406.90.10, 6406.90.90Cabedais, solas de couro, outras partes18%Zero em 1º/1/2041

Os códigos da UE e do Brasil não são idênticos depois dos quatro primeiros dígitos. Confirme a classificação exata do seu produto com o despachante.

Os números do setor com a União Europeia

Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.

20242025Desde maio/2026Variação
Exportações do Brasil para a UEUS$ 185 miUS$ 194 miUS$ 59 mi-2%
Importações do Brasil vindas da UEUS$ 56 miUS$ 60 miUS$ 29 mi+13%

O que o Brasil mais vende do setor para a UE

SH4Produto2025
6406Partes de calçado (incluídas as partes superiores, mesmo fixadas a solas que não sejam as solas exteriores); palmilhas amovíveis; reforços iUS$ 84 mi
6402Outro calçado com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticoUS$ 54 mi
6403Calçado com sola exterior de borracha, plástico, couro natural ou reconstituído e parte superior de couro naturalUS$ 47 mi
6404Calçado com sola exterior de borracha, plástico, couro natural ou reconstituído e parte superior de matérias têxteisUS$ 8,8 mi
6405Outros calçadosUS$ 591 mil
6401Calçado impermeável de sola exterior e parte superior de borracha ou plástico, em que a parte superior não tenha sido reunida à sola exterioUS$ 88 mil

O que o Brasil mais compra do setor da UE

SH4Produto2025
6403Calçado com sola exterior de borracha, plástico, couro natural ou reconstituído e parte superior de couro naturalUS$ 43 mi
6404Calçado com sola exterior de borracha, plástico, couro natural ou reconstituído e parte superior de matérias têxteisUS$ 11 mi
6402Outro calçado com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticoUS$ 4,2 mi
6405Outros calçadosUS$ 871 mil
6406Partes de calçado (incluídas as partes superiores, mesmo fixadas a solas que não sejam as solas exteriores); palmilhas amovíveis; reforços iUS$ 504 mil
6401Calçado impermeável de sola exterior e parte superior de borracha ou plástico, em que a parte superior não tenha sido reunida à sola exterioUS$ 41 mil

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Perguntas frequentes

O acordo Mercosul–UE já zerou a tarifa do calçado brasileiro na Europa?

Só em parte. Desde 1º/5/2026 estão zeradas as partes de calçado (6406) e a maior parte da posição 6405. O calçado de couro (6403) zera em 2033 e o de borracha, plástico ou têxtil (6402, 6404, 6401) em 2036.

O calçado europeu vai entrar no Brasil sem imposto?

Não tão cedo. Calçado têxtil, boa parte do de borracha/plástico, a posição 6405 e o impermeável ficaram excluídos e mantêm 35%. O calçado de couro europeu só chega a zero em 1º/1/2041.

Posso usar cabedal importado da Ásia e ter a tarifa reduzida na UE?

Segundo a Abicalçados, não. As regras de origem proíbem cabedais importados de países de fora do acordo e exigem conteúdo regional mínimo de 60% para calçados de menor valor. Confirme com seu despachante.

As exportações de calçado para a Europa já aumentaram com o acordo?

Ainda não dá para afirmar. De maio a setembro de 2026 caíram 2,3%, bem menos que a queda de 18,4% de janeiro a abril. São só os primeiros meses.

De que país vem a maior concorrência europeia no calçado?

Da Itália: US$ 53,2 milhões dos US$ 59,6 milhões importados da UE em 2025, principalmente calçado com parte superior de couro (6403).

Qual é a tarifa da UE sobre calçado brasileiro hoje?

Antes do acordo ia de 3% a 17%, com média de 9,9%. As de 3% a 4% já zeraram. As de 8% e cerca de 17% caem um pouco a cada 1º de janeiro até zerar.

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Guia informativa, não é consultoria jurídica, tributária ou aduaneira.

Fontes

  • Anexo 2-A do Acordo Mercosul–UE (cronogramas tarifários) e planilhas SECEX
  • Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
  • Fichas setoriais da Comissão Europeia sobre o acordo
  • Abicalçados (comunicados sobre o acordo e a Expo Riva Schuh, programa Brazilian Footwear)
  • Jornal NH (Grupo Sinos), reportagens sobre o acordo e o setor calçadista
  • ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
  • Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)