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Acordo Mercosul–UE: o que muda para plásticos e borracha

Na Europa, pneus brasileiros já entram sem tarifa desde maio de 2026. Polietileno, filmes, embalagens e obras de plástico chegam a zero em 2030. No Brasil, a proteção contra o produto europeu cai devagar: a maior parte só zera em 2036, e vários itens nem entram no acordo.

Guia gratuitaOportunidades e riscosAtualizada em 8 de outubro de 2026
25.735empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
US$ 437 miexportações para a UE em 2025importações: US$ 2,7 bi
+22%exportações para a UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
+12%importações da UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
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Em uma frase

Você tem até 2030 para conquistar clientes europeus com tarifa zero no polietileno e nas obras de plástico. A tarifa brasileira de 18% sobre a maioria das obras de plástico europeias só chega a zero em 1º/1/2036.

Quando muda: o calendário

  1. maio de 2026O acordo entra em vigor. A UE zera a tarifa sobre os pneus brasileiros (4011), que era de 4,5% ou 4,0%. Toda a borracha sintética (4002) também entra livre. No Brasil começa o primeiro corte nas tarifas sobre os produtos europeus.
  2. 1º/1/2027Novo corte anual, em partes iguais, nos dois lados. Isso vale para todas as linhas que têm cronograma de redução.
  3. 1º/1/2030A UE zera a tarifa de 6,5% sobre polietileno (3901), polipropileno (3902), chapas e filmes (3920), embalagens (3923) e obras de plástico (3926). O Brasil zera as linhas da categoria 4, que tinham tarifa base de 2%.
  4. 1º/1/2036O Brasil zera a maior parte das linhas do setor. Entre elas: obras de plástico 3926 (18%), obras de borracha 4016.10 (16%), resinas 3907 e 3909 (14%), tubos 3917 e chapas 3920 (16%). A UE zera os derivados de celulose da subposição 3912.20.
  5. 1º/1/2041Últimos cortes no Brasil, todos de 16% ou 18% até zero: correias transportadoras (3926.90.22), borrachas de apagar (4016.92.00), defensas para embarcações (4016.94.00) e artigos infláveis (4016.95).
  6. Sem dataItens excluídos (categoria E) continuam com a tarifa cheia no Brasil. Exemplos: 3926.90.90, 4016.93.00, 4016.99.90, 3917.23.00, pneus para automóveis 4011.10.00 e PVC por suspensão 3904.10.10.

O que muda para o setor

O acordo mexe nos dois lados do seu negócio. Para exportar: a UE cobrava pouco do produto brasileiro do setor, com tarifa média de 4,7%. Agora tudo vai a zero. Uma parte zerou em maio de 2026 e a maior parte zera até 2030. Pelo comércio de 2025, 24,0% já entravam livres, 13,3% zeraram de imediato e 61,3% zeram entre 2027 e 2030.

Para competir no Brasil: a tarifa brasileira sobre o produto europeu é bem mais alta, com média de 11,5%. Ela cai devagar: 54,8% do comércio de 2025 só chega a zero entre 2035 e 2036, e 6,5% só entre 2037 e 2041. Outros 18,0% não têm eliminação total, porque são linhas excluídas. Você ganha tempo para se ajustar, mas a concorrência cresce todo ano.

O fluxo com a UE é desigual. Em 2025 o Brasil exportou US$ 436,8 milhões do setor para a UE e importou US$ 2.662,1 milhões de lá. Por isso o impacto é misto. Há boa oportunidade para quem exporta polímeros, pneus e borracha sintética. Há risco no longo prazo para quem transforma plástico e borracha e disputa espaço com a peça europeia aqui dentro.

Os primeiros números pedem cautela. De maio a setembro de 2026, as exportações do setor para a UE subiram 21,7% e as importações 11,9% sobre o mesmo período de 2025. Mas de janeiro a abril, antes do acordo, as exportações tinham caído 24,6% e as importações 6,7%. São só alguns meses, e outros fatores de mercado pesam. Ainda não dá para dizer quanto disso vem do acordo.

Quais produtos ficam de fora e quais caem

Tarifa da UE sobre o produto brasileiro (sua chance de exportar):

CódigoProdutoTarifa baseZero em
4011Pneus novos (todos os tipos)4,0% a 4,5%1º/5/2026
4002Borracha sintética (4002.99.10 tinha 2,9%; as demais já eram 0%)0% a 2,9%1º/5/2026
3901Polietileno (exceto 3901.20.10 e 3901.90.30, já livres)6,5%1º/1/2030
3902Polipropileno e copolímeros6,5%1º/1/2030
3920Chapas, folhas e filmes (a maioria)6,5%1º/1/2030
3923Embalagens de plástico6,5% (3923.40.10: 5,3%)1º/1/2030
3926Outras obras de plástico6,5%1º/1/2030
3912Celulose e derivados (a maioria)6,4% a 6,5%1º/1/2030
3912.20Nitratos de celulose (colódios e outros)6,0% a 6,5%1º/1/2036

Tarifa do Brasil sobre o produto europeu (concorrência aqui dentro):

  • Ficam de fora (categoria E, a tarifa não cai):
    • 3926.90.90 outras obras de plástico (18%)
    • 4016.93.00 juntas e gaxetas e 4016.99.90 outras obras de borracha (16%)
    • 3917.23.00 tubos de PVC e 3917.32.90 (16%)
    • chapas e filmes 3920.10.99, 3920.20.90, 3920.43.90, 3920.49.00, 3920.51.00 e 3920.62.91 (16%)
    • PVC 3904.10.10 (suspensão) e 3904.22.00 (plastificado) (14%)
    • resinas 3907.29.39, 3907.30.19, 3907.30.21, 3909.50.19 e 3909.50.29 (14%)
    • pneus para automóveis de passageiros 4011.10.00 e 4011.20.90 (16%)
  • Zero em 1º/1/2036 (categoria 10):
    • quase toda a 3926 (18%)
    • 4016.10 e 4016.91 (16%)
    • a maior parte das resinas 3907 e 3909 (14%)
    • a maioria dos tubos 3917 e das chapas 3920 (16%)
    • PVC 3904.10.20, 3904.21.00 e 3904.90 (14%)
    • pneus para motos, bicicletas, máquinas agrícolas e outros (4011.40, 4011.50, 4011.70, 4011.80.90 e 4011.90.90; 16%)
  • Zero em 1º/1/2041 (categoria 15): 3926.90.22 correias transportadoras (18%); 4016.92.00, 4016.94.00 e 4016.95 (16%).
  • Zero em 1º/1/2030 (categoria 4): linhas que já tinham só 2%. Exemplos: 3904.50 e 3904.61, alguns 3907, 3909.50.12, 3917.32.21 e filmes finos de 3920.
  • Zero desde maio de 2026: bolsas e acessórios para hemodiálise (3926.90.30, 3926.90.50, 3917.40.10, já com 0%) e 3917.10.21 (tinha 2%).

Atenção: alguns subitens, como 3920.20.12 e 3920.20.19, aparecem com uma parte na categoria 4 e outra excluída. Confirme a NCM exata com o seu despachante.

Os números do setor com a União Europeia

Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.

20242025Desde maio/2026Variação
Exportações do Brasil para a UEUS$ 361 miUS$ 437 miUS$ 205 mi+22%
Importações do Brasil vindas da UEUS$ 2,6 biUS$ 2,7 biUS$ 1,3 bi+12%

O que o Brasil mais vende do setor para a UE

SH4Produto2025
3901Polímeros de etileno, em formas primáriasUS$ 194 mi
4011Pneumáticos novos, de borrachaUS$ 36 mi
3926Outras obras de plástico e obras de outras matérias das posições 3901 a 3914US$ 32 mi
4002Borracha sintética e borracha artificial derivada dos óleos, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras; misturas dos produtos da posUS$ 31 mi
3920Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas US$ 30 mi
3912Celulose e seus derivados químicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, em formas primáriasUS$ 20 mi

O que o Brasil mais compra do setor da UE

SH4Produto2025
3926Outras obras de plástico e obras de outras matérias das posições 3901 a 3914US$ 313 mi
4016Outras obras de borracha vulcanizada não endurecidaUS$ 255 mi
3907Poliacetais, outros poliéteres e resinas epóxidas, em formas primárias; policarbonatos, resinas alquídicas, poliésteres alílicos e outros poUS$ 216 mi
3909Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primáriasUS$ 162 mi
3917Tubos e seus acessórios (por exemplo: juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticoUS$ 161 mi
3920Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas US$ 148 mi

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  • Oportunidades para quem exporta
  • Riscos: a concorrência europeia no Brasil
  • De onde vêm os concorrentes europeus
  • Insumos e máquinas mais baratos
  • O que fazer agora: checklist

Perguntas frequentes

O acordo Mercosul-UE zera a tarifa de importação de plástico europeu no Brasil?

Na maior parte, sim, mas devagar. Muitas obras de plástico (3926), com tarifa de 18%, só zeram em 1º/1/2036. Algumas linhas vão até 2041, e itens como 3926.90.90 ficam excluídos, com a tarifa cheia.

Pneu brasileiro paga imposto para entrar na Europa depois do acordo?

Não. Desde 1º de maio de 2026 a UE zerou a tarifa sobre pneus novos (4011), que era de 4,5% ou 4,0%. É preciso comprovar a origem Mercosul.

Quando o polietileno brasileiro fica sem tarifa na União Europeia?

Em 1º/1/2030. A tarifa de 6,5% cai em 5 etapas iguais até chegar a zero.

Pneus europeus para carro vão ficar mais baratos no Brasil?

Pela tarifa, não. Os pneus para automóveis de passageiros (4011.10.00) estão excluídos e mantêm a tarifa de 16%. Pneus para motos, bicicletas e máquinas agrícolas zeram em 2036.

As resinas importadas da Europa vão ficar mais baratas?

Em boa parte, aos poucos. A maioria das resinas 3907 e 3909, com tarifa de 14%, zera em 1º/1/2036. Algumas com 2% zeram em 2030 e outras estão excluídas. Confirme a NCM com o despachante.

As exportações de plástico para a Europa já cresceram com o acordo?

De maio a setembro de 2026 subiram 21,7%, mas de janeiro a abril tinham caído 24,6%. São poucos meses, e ainda não dá para atribuir a alta ao acordo.

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Fontes

  • Decreto nº 12.953, de 28/04/2026 (aplicação provisória do acordo no Brasil)
  • Anexo de cronogramas tarifários do Acordo Mercosul–UE e planilhas SECEX (indicativas; em caso de divergência vale o texto do acordo)
  • Comissão Europeia – fichas setoriais e por país sobre o acordo (máquinas, Espanha)
  • Confindustria – posicionamento da Itália sobre o acordo Mercosul–UE
  • ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
  • Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)