Geopolítica › Acordo Mercosul–UE › Vidro, cerâmica e materiais de construção

Guia do setor · Indústria de base

Acordo Mercosul–UE: o que muda para vidro, cerâmica e materiais de construção

A União Europeia já zerou em maio de 2026 a tarifa sobre pedras trabalhadas, ardósia e guarnições de fricção, os principais produtos brasileiros do setor vendidos para lá. No Brasil, a tarifa sobre o produto europeu cai devagar: a maior parte só chega a zero entre 2034 e 2036, e alguns itens de vidro ficam de fora.

Guia gratuitaOportunidades e riscosAtualizada em 8 de outubro de 2026
55.533empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
US$ 154 miexportações para a UE em 2025importações: US$ 413 mi
+16%exportações para a UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
-0%importações da UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
Navegar pelas guias

Em uma frase

A UE zerou em 1º/5/2026 a tarifa sobre pedras trabalhadas (6802), que somaram US$ 78,0 milhões em vendas à Europa em 2025. No Brasil, 48,8% das importações europeias do setor só ficam sem tarifa em 2036.

Quando muda: o calendário

  1. 1º de maio de 2026A UE zera a tarifa sobre pedras trabalhadas (6802, antes até 1,7%), ardósia (6803, antes 1,7%), guarnições de fricção (6813, antes 2,7%), ampolas de vidro (7010.10, antes 3%) e obras de 6815. No Brasil, a maioria das tarifas sobre o produto europeu tem o primeiro corte.
  2. 1º de janeiro de 2030A UE zera a tarifa sobre frascos, potes e embalagens de vidro (7010.20 e 7010.90, antes 5%). O Brasil zera a sua sobre alguns abrasivos (6804.21.19 e 6804.21.90), fibras de carbono (6815.11.00) e uma linha de fibra de vidro (7019.12.10).
  3. 1º de janeiro de 2033A UE zera a tarifa sobre ladrilhos cerâmicos (6907, antes 5%), fibra de vidro (7019, antes 5% a 7%) e louça de barro comum (6912.00.21 e 6912.00.81).
  4. 1º de janeiro de 2034O Brasil zera a tarifa sobre abrasivos aplicados em papel ou tecido (quase toda a 6805, antes 10%), frascos e tampas de vidro (7010.20, 7010.90.12, 7010.90.22, 7010.90.90) e parte das mós (6804.21.11 e 6804.23.00).
  5. 1º de janeiro de 2036O Brasil zera a tarifa sobre ladrilhos e pisos cerâmicos europeus (6907, antes 12% ou 14%), quase toda a fibra de vidro (7019, antes até 12%), cerâmica técnica (6909) e a maior parte de 6815. A UE zera a sua sobre louça de grés e faiança (6912).
  6. 1º de janeiro de 2041O Brasil zera a tarifa sobre as últimas linhas do setor com corte previsto: mós (6804.10.00), pedras de amolar (6804.30.00) e alguns copos e objetos de vidro (7013.37, 7013.41 e 7013.49, antes 18%).

O que muda para o setor

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia vale de forma provisória desde 1º de maio de 2026. No Brasil, ele foi aplicado pelo Decreto nº 12.953. Para o seu setor, ele mexe em dois lados ao mesmo tempo. E eles andam em velocidades bem diferentes.

Lado 1 – você exportando para a Europa. A tarifa europeia já era baixa: média de 4,0% (ou 2,4% se ponderada pelo que o Brasil vendeu em 2025). Agora 59,2% das vendas brasileiras do setor ficaram com tarifa zero logo em 2026. Outros 20,1% já entravam sem tarifa. O ganho é real, mas pequeno na maioria dos casos: nas pedras trabalhadas, por exemplo, a tarifa era de no máximo 1,7%.

Lado 2 – o produto europeu chegando aqui. A tarifa brasileira é bem maior: média de 11,1% (10,7% ponderada). Ela vai cair, mas devagar. Só 1,6% das importações já entrava sem tarifa. A maior fatia (48,8%) só chega a zero em 2036. Outros 14,3% nunca chegam a zero. O Brasil importou US$ 412,6 milhões do setor da UE em 2025, quase três vezes o que exportou para lá (US$ 154,4 milhões).

E os primeiros números? De maio a setembro de 2026, as exportações do setor para a UE subiram 16,3% sobre o mesmo período de 2025. De janeiro a abril, antes do acordo, tinham caído 8,0%. A virada é animadora, mas são só cinco meses. Como o corte de tarifa foi pequeno, não dá para dizer ainda quanto disso vem do acordo. As importações ficaram estáveis (−0,4%), depois de cair 9,8% de janeiro a abril.

Quais produtos ficam de fora e quais caem

Tarifa da UE sobre o produto brasileiro (exportação):

Código (SH)ProdutoTarifa antesZero em
6802Pedras de cantaria trabalhadas (mármore, granito, outras)0% a 1,7%1º/5/2026
6803Ardósia trabalhada1,7%1º/5/2026
6813Guarnições de fricção (inclusive para freios)2,7%1º/5/2026
6815Obras de pedra e outras matérias minerais0%1º/5/2026
7010.10.00Ampolas de vidro3%1º/5/2026
7010.20 e 7010.90Tampas, frascos, potes e garrafas de vidro5%1º/1/2030
6907Ladrilhos e placas cerâmicas5%1º/1/2033
7019Fibras de vidro e suas obras5% a 7%1º/1/2033
6912.00.21 e .81Louça de barro comum5%1º/1/2033
6912 (grés, faiança, outros)Louça de mesa e cozinha5,5% a 9%1º/1/2036

Tarifa do Brasil sobre o produto europeu (concorrência aqui):

Código (SH)ProdutoTarifa antesZero em
6909.12.20 e 6909.19.20Guias de agulhas para cabeças de impressão0%já era zero
6804.21.19, 6804.21.90Mós e abrasivos (outros)6%1º/1/2030
6815.11.00, 6815.99.14, 7019.12.10Fibras de carbono, alguns refratários, uma linha de fibra de vidro2%1º/1/2030
6805 (quase toda)Abrasivos em papel, tecido ou outro suporte10%1º/1/2034 (6805.30.20: 2036)
7010.20, 7010.90.12, 7010.90.22, 7010.90.90Tampas, frascos e potes de vidro10%1º/1/2034
6804.21.11, 6804.23.00Mós aglomeradas com resina e de pedras naturais6%1º/1/2034
6907Ladrilhos, pisos, pastilhas e peças de acabamento12% ou 14%1º/1/2036
7019 (quase toda)Fibra de vidro, mantas, tecidos, lã de vidro2% a 12%1º/1/2036
6909 (quase toda)Cerâmica para usos técnicos2% a 12%1º/1/2036
7010.10.00Ampolas10%1º/1/2036
6804.10.00, 6804.30.00Mós para moer; pedras de amolar manuais6%1º/1/2041
7013.37, 7013.41, 7013.49Alguns copos e objetos de vidro18%1º/1/2041

Ficam DE FORA (tarifa brasileira não cai):

  • 7010.90.11 e 7010.90.21 – garrafões e garrafas de vidro (10%)
  • 7013.10.00 – objetos de vitrocerâmica (18%)
  • 7013.22.00, 7013.28.00, 7013.33.00 – copos e taças, inclusive de cristal de chumbo (18%)
  • 7013.42.10 e 7013.42.90 – cafeteiras, chaleiras e outros (18%)
  • 7013.91.10, 7013.91.90, 7013.99.00 – objetos de vidro para ornamentação e outros (18%)
  • 6909.12.10 – guia-fios para máquina têxtil (12%)
  • 6815.20.00 – obras de turfa (14%)

Atenção: 6815.91.10 e 6815.91.90 aparecem nas fontes consultadas tanto como excluídas quanto com zero em 2036. Algumas linhas de 6907 e 6815.12.00 aparecem com duas tarifas base diferentes. Nesses casos, confirme no texto do acordo e com o seu despachante. As planilhas da SECEX são indicativas: em caso de dúvida, vale o texto do acordo.

Os números do setor com a União Europeia

Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.

20242025Desde maio/2026Variação
Exportações do Brasil para a UEUS$ 110 miUS$ 154 miUS$ 72 mi+16%
Importações do Brasil vindas da UEUS$ 422 miUS$ 413 miUS$ 168 mi-0%

O que o Brasil mais vende do setor para a UE

SH4Produto2025
6802Pedras de cantaria ou de construção (exceto de ardósia) trabalhadas e obras destas pedras, exceto as da posição 6801; cubos, pastilhas e artUS$ 78 mi
6813Guarnições de fricção (por exemplo: placas, rolos, tiras, segmentos, discos, anéis, pastilhas), não montadas, para travões (freios), embraiaUS$ 20 mi
7019Fibras de vidro (incluída a lã de vidro) e suas obras (por exemplo: fios, tecidos)US$ 13 mi
6803Ardósia natural trabalhada e obras de ardósia natural ou aglomeradaUS$ 12 mi
6907Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhanUS$ 6,1 mi
6815Obras de pedra ou de outras matérias minerais (incluídas as fibras de carbono, as obras destas matérias ou de turfa), não especificadas nem US$ 4,5 mi

O que o Brasil mais compra do setor da UE

SH4Produto2025
6804Mós e artefactos semelhantes, sem armação, para moer, desfibrar, triturar, amolar, polir, rectificar ou cortar; pedras para amolar ou para pUS$ 51 mi
6815Obras de pedra ou de outras matérias minerais (incluídas as fibras de carbono, as obras destas matérias ou de turfa), não especificadas nem US$ 36 mi
6909Aparelhos e artefactos para usos químicos ou para outros usos técnicos, de cerâmica; alguidares, gamelas e outros recipientes semelhantes paUS$ 34 mi
7019Fibras de vidro (incluída a lã de vidro) e suas obras (por exemplo: fios, tecidos)US$ 34 mi
6805Abrasivos naturais ou artificiais, em pó ou em grãos, aplicados sobre matérias têxteis, papel, cartão ou outras matérias, mesmo recortados, US$ 32 mi
7010Garrafões, garrafas, frascos, boiões, vasos, embalagens tubulares, ampolas e outros recipientes de vidro próprios para transporte ou embalagUS$ 27 mi

Guia completa · grátis

Leia a guia completa de vidro, cerâmica e materiais de construção

Cadastre o seu e-mail e libere na hora a guia completa, e todas as outras guias da NanoIris. Sem custo.

  • Oportunidades para quem exporta
  • Riscos: a concorrência europeia no Brasil
  • De onde vêm os concorrentes europeus
  • Insumos e máquinas mais baratos
  • O que fazer agora: checklist

Perguntas frequentes

O acordo Mercosul–UE zerou a tarifa para exportar granito e mármore para a Europa?

Sim. As pedras trabalhadas (6802), inclusive mármore e granito, têm tarifa zero na UE desde 1º/5/2026. Antes, a tarifa era de até 1,7%.

Quando cai a tarifa do porcelanato e do piso cerâmico europeu no Brasil?

Os ladrilhos e placas cerâmicas (6907) tinham tarifa brasileira de 12% ou 14%. Ela cai em degraus anuais e chega a zero em 1º/1/2036.

Quais produtos de vidro ficaram fora do acordo Mercosul–UE?

No Brasil, garrafas e garrafões de vidro (7010.90.11 e 7010.90.21) e a maior parte dos copos e objetos de vidro da posição 7013 ficam excluídos. As tarifas de 10% e 18% não caem.

Quando zera a tarifa europeia sobre revestimento cerâmico brasileiro?

A tarifa da UE sobre ladrilhos cerâmicos (6907) era de 5%. Ela cai todo ano e chega a zero em 1º/1/2033.

Abrasivos e mós importados da Europa vão ficar mais baratos?

A tarifa brasileira cai aos poucos: a de 6% nas mós (6804) zera entre 2030 e 2041, conforme o item, e a de 10% nos abrasivos (6805) zera em 2034, na maioria das linhas. Confirme a NCM com o despachante.

As exportações do setor para a Europa já cresceram com o acordo?

De maio a setembro de 2026, subiram 16,3% sobre o mesmo período de 2025, depois de cair 8,0% de janeiro a abril. É cedo para atribuir tudo ao acordo, porque o corte de tarifa foi pequeno.

Precisa de mais do que uma guia?

A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.

Guia informativa, não é consultoria jurídica, tributária ou aduaneira.

Fontes

  • Acordo Provisório de Comércio Mercosul–UE – Anexo 2-A (cronogramas de desgravação tarifária) e planilhas indicativas da SECEX
  • Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
  • Comissão Europeia – DG Trade, avaliação econômica do acordo UE–Mercosul (projeções para 2040)
  • Comissão Europeia – fichas setoriais do acordo UE–Mercosul (máquinas e aparelhos; compras públicas)
  • ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
  • Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)