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Acordo Mercosul–UE: o que muda para o setor de eletroeletrônicos

Desde 1º de maio de 2026, a União Europeia zerou a tarifa sobre a maior parte dos eletroeletrônicos que o Brasil exporta. Do lado brasileiro, a tarifa sobre o produto europeu cai devagar: a maioria zera só em 2036 ou 2041, e alguns itens, como disjuntores e grandes transformadores, ficam de fora.

Guia gratuitaOportunidades e riscosAtualizada em 8 de outubro de 2026
14.266empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
US$ 523 miexportações para a UE em 2025importações: US$ 3,1 bi
+37%exportações para a UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
+6%importações da UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
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Em uma frase

A UE já zerou a tarifa para 71,2% das exportações brasileiras do setor, mas a concorrência europeia aqui chega aos poucos: 58% das importações da UE só ficam sem tarifa em 1º/1/2036.

Quando muda: o calendário

  1. 1º de maio de 2026A UE zera a tarifa para a maior parte dos eletroeletrônicos brasileiros: motores elétricos (8501, antes 2,7%), transformadores e conversores (8504, até 3,7%), fios e cabos (8544, até 3,7%) e aparelhos de interrupção (8536, até 2,3%). No Brasil começam os cortes anuais nas categorias 10 e 15. Itens europeus que já tinham tarifa 0% seguem em zero.
  2. 1º de janeiro de 2027Segundo corte anual da tarifa brasileira sobre produtos europeus das categorias 4, 8, 10 e 15. A redução se repete todo 1º de janeiro.
  3. 1º de janeiro de 2030A UE zera as linhas que restavam do setor, como motores síncronos de até 18 W (8501.10.10, base 4,7%) e pilhas inservíveis (8549, base 4,7%). No Brasil zeram as partes de disjuntores para 72,5 kV ou mais (8538.90.20, base 2%).
  4. 1º de janeiro de 2034No Brasil zeram os terminais de conexão para condensadores (8536.90.50, base 2%) e outras linhas da categoria 8.
  5. 1º de janeiro de 2036Grande marco: zera a tarifa brasileira da categoria 10. É o caso de fusíveis (16%), cabos de cobre (14%), controladores programáveis (14%), carregadores (18%) e no-breaks (20%). Isso cobre 58% do que o Brasil importou da UE no setor em 2025.
  6. 1º de janeiro de 2041Zera a categoria 15, por exemplo motores trifásicos com rotor de gaiola de 8501.51.10 (14%), transformadores de até 650 kVA (14%) e cabos acima de 1.000 V (16%). Os itens da categoria E continuam com a tarifa cheia.

O que muda para o setor

O acordo mexe com o seu negócio de dois lados, e eles andam em velocidades bem diferentes.

Para exportar à Europa, a mudança já aconteceu. A tarifa da UE sobre eletroeletrônicos brasileiros já era baixa: média de 2,5%, ou 2,2% ponderada pelo comércio. Em 1º de maio de 2026 ela foi a zero para 71,2% do que o Brasil vende. Outros 25,2% já entravam sem tarifa. O ganho é real, mas pequeno por unidade: são 2,7 a 3,7 pontos a menos no preço.

No mercado brasileiro, a proteção é bem maior e cai devagar. A tarifa média sobre o produto europeu é de 12,5% (12,8% ponderada), com linhas de 14%, 16%, 18% e até 20%. Só 1,5% do comércio zera até 2030. A maior parte, 58%, zera em 2036 e 13% em 2041. Os 10,8% restantes nunca chegam a zero. Você tem tempo para se preparar, mas o desconto europeu cresce todo 1º de janeiro.

O peso também é desigual. Em 2025 o Brasil exportou US$ 522,9 milhões do setor para a UE e importou US$ 3.119,4 milhões. Por isso o impacto é misto: há oportunidade imediata para quem exporta e pressão crescente para quem disputa o mercado interno com o produto europeu.

Quais produtos ficam de fora e quais caem

Tarifa do Brasil sobre o produto europeu (concorrência aqui dentro)

Código NCMProdutoTarifa baseQuando zera
8536.20.00Disjuntores18%Excluído (não cai)
8536.69.10 / 8536.69.90Tomada polarizada e blindada / outros16%Excluído
8537.10.90Quadros e painéis de comando, outros18%Excluído
8544.19.90Fios para bobinar, outros14%Excluído
8501.32.20Geradores (8501.32)18%Excluído
8502.13.11 / 8502.13.90 / 8502.20.90Grupos eletrogêneos (linhas indicadas)14%Excluído
8504.22.00Transformadores de 650 a 10.000 kVA14%Excluído
8504.34.00Transformadores acima de 500 kVA (8504.34)14%Excluído
8538.90.90Partes, outras16%Excluído
8517.14.49, uma linha de 8517.14.90 e uma de 8517.61.99Aparelhos de telefonia (linhas indicadas)12% a 16%Excluído
8536.10.00, 8536.30, 8536.41/49, 8536.61.00, 8536.70.00Fusíveis, protetores, relés, suportes de lâmpadas, conectores de fibra16%1º/1/2036
8544.11.00, 8544.20.00, 8544.42.00, 8544.49.00Fios de cobre, cabos coaxiais, cabos com conectores e outros14% a 16%1º/1/2036
8537.10.19 / .20 / .30Painéis, controladores programáveis, controladores de demanda14%1º/1/2036
8504.40.10 / 8504.40.40 / 8504.40.50Carregadores / no-break (UPS) / inversores de frequência para motores18% / 20% / 14%1º/1/2036
8501.20.00, 8501.31, 8501.33, 8501.51.20, 8501.52.10Vários motores e geradores14% a 18%1º/1/2036
8502.31.00Grupos geradores de energia eólica14%1º/1/2036
8501.51.10, 8501.52.20, 8501.32.10Motores trifásicos (linhas indicadas) e motores de 8501.3214% a 18%1º/1/2041
8504.21.00, 8504.31.11, 8504.32, 8504.33.00Transformadores de até 650 kVA e de corrente, entre outros14% a 18%1º/1/2041
8544.60.00Condutores para mais de 1.000 V16%1º/1/2041
8537.20.90Quadros para mais de 1.000 V, outros18%1º/1/2041
8502.11.10, 8502.12.10, 8502.13.19Grupos eletrogêneos (linhas indicadas)14%1º/1/2041

Algumas linhas da categoria 0, como 8537.20.10 (subestações isoladas a gás), 8502.20.19 e 8501.34.19, estão zeradas desde 1º/5/2026. Mas a tarifa delas já era 0%, então nada muda na prática.

Tarifa da UE sobre o produto brasileiro (oportunidade de exportar)

  • Zero desde 1º/5/2026: quase todos os motores e geradores de 8501 (antes 2,7%), transformadores e conversores de 8504 (até 3,7%), fios e cabos de 8544 (até 3,7%), aparelhos de 8536 (até 2,3%, incluindo disjuntores 8536.20), quadros de 8537 (2,1%) e quase toda a sucata eletrônica de 8549.
  • Já eram zero: condensadores (8532) e aparelhos de telefonia (8517).
  • Zero em 1º/1/2030: motores síncronos de até 18 W (8501.10.10, 4,7%) e pilhas e baterias inservíveis de 8549 (4,7%).
  • Na lista da UE para o setor não aparecem itens excluídos.

Atenção: a planilha oficial repete alguns códigos de 8517 com categorias diferentes. Confirme a NCM exata do seu produto com o despachante. Em caso de dúvida, vale o texto do acordo.

Os números do setor com a União Europeia

Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.

20242025Desde maio/2026Variação
Exportações do Brasil para a UEUS$ 536 miUS$ 523 miUS$ 303 mi+37%
Importações do Brasil vindas da UEUS$ 2,7 biUS$ 3,1 biUS$ 1,4 bi+6%

O que o Brasil mais vende do setor para a UE

SH4Produto2025
8501Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos electrogéneosUS$ 212 mi
8532Condensadores elétricos, fixos, variáveis ou ajustáveisUS$ 42 mi
8504Transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos (rectificadores, por exemplo), bobinas de reactância e de auto-induçãoUS$ 38 mi
8549Desperdícios e resíduos, e sucata, elétricos e eletrônicosUS$ 37 mi
8544Fios, cabos (incluídos os cabos coaxiais) e outros condutores, isolados para usos elétricos (incluídos os envernizados ou oxidados anodicameUS$ 25 mi
8517Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia por fios, incluídos os aparelhos telefónicos por fio combinados com auscultadores sem fio eUS$ 21 mi

O que o Brasil mais compra do setor da UE

SH4Produto2025
8536Aparelhos para interrupção, seccionamento, protecção, derivação, ligação ou conexão de circuitos elétricos (por exemplo: interruptores, comuUS$ 390 mi
8544Fios, cabos (incluídos os cabos coaxiais) e outros condutores, isolados para usos elétricos (incluídos os envernizados ou oxidados anodicameUS$ 282 mi
8537Quadros, painéis, consolas, cabinas, armários e outros suportes, com dois ou mais aparelhos das posições 8535 ou 8536, para comando eléctricUS$ 254 mi
8502Grupos electrogéneos e conversores rotativos, elétricosUS$ 213 mi
8501Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos electrogéneosUS$ 212 mi
8504Transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos (rectificadores, por exemplo), bobinas de reactância e de auto-induçãoUS$ 187 mi

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Perguntas frequentes

Quando a tarifa de importação de eletroeletrônicos europeus vai zerar no Brasil?

Depende do código. A maior parte, 58% do que o Brasil importou da UE em 2025, zera em 1º/1/2036. Outros 13% zeram em 2037–2041, e 10,8% nunca zeram totalmente. Os cortes são anuais e iguais desde 2026.

Disjuntores europeus vão entrar sem imposto de importação?

Não. Os disjuntores (8536.20.00, tarifa de 18%) estão na categoria E, excluída do acordo. O mesmo vale para tomadas de 8536.69, transformadores de 8504.22.00 e 8504.34.00 e algumas linhas de grupos eletrogêneos.

A UE cobra tarifa sobre motores elétricos brasileiros?

Desde 1º/5/2026, não, para quase todos os motores e geradores de 8501, que antes pagavam 2,7%. A exceção são os motores síncronos de até 18 W (8501.10.10), que pagavam 4,7% e zeram em 1º/1/2030.

As exportações do setor para a Europa já cresceram com o acordo?

Entre maio e setembro de 2026 subiram 36,8%, contra −3,2% de janeiro a abril. É um sinal positivo, mas são poucos meses, a tarifa que caiu era pequena e todas as exportações à UE cresceram. Ainda é cedo para concluir.

Empresas europeias podem participar de licitações no Brasil?

Sim. Desde maio de 2026 elas disputam compras públicas federais e estaduais em condições de igualdade com as brasileiras.

Como saber em qual categoria está o meu produto?

Procure a sua NCM de 8 dígitos no anexo de tarifas do acordo e confirme com o seu despachante. A planilha da SECEX é só indicativa: se houver divergência, vale o texto do acordo.

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Guia informativa, não é consultoria jurídica, tributária ou aduaneira.

Fontes

  • Anexo 2-A do Acordo Mercosul–UE (cronogramas tarifários do Mercosul/Brasil e da UE)
  • Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
  • Fichas setoriais da Comissão Europeia sobre o acordo
  • Abinee – posicionamentos publicados por O Setor Elétrico, Agência Brasil, Teletime e DPL News
  • FIEMG – Centro Internacional de Negócios, nota sobre o funcionamento do acordo
  • ComexStat/MDIC e Receita Federal (CNPJ)
  • ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
  • Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)