Geopolítica › Acordo Mercosul–UE › Móveis
Guia do setor · Indústria de consumo
Acordo Mercosul–UE: o que muda para o setor de móveis
Para exportar, o ganho é pequeno: a UE já cobrava pouco ou nada sobre o móvel brasileiro e zerou quase tudo em 1º/5/2026. No Brasil, a proteção de 18% cai devagar e some só entre 2036 e 2041. Móveis de madeira para quarto, cozinha e escritório ficam de fora e seguem com 18%.
Navegar pelas guias
Em uma frase
Você tem tempo: os móveis de madeira para quarto, cozinha e escritório mantêm 18% de tarifa para sempre, e o restante do setor só chega a tarifa zero entre 1º/1/2036 e 1º/1/2041.
Quando muda: o calendário
- maio de 2026A UE zera a tarifa sobre quase todos os móveis, assentos e colchões brasileiros. O Brasil faz o primeiro corte nas linhas das categorias 10 e 15. As linhas excluídas seguem com 18%. Empresas europeias passam a disputar compras públicas federais e estaduais.
- 1º de janeiro de 2027Segundo corte anual da tarifa brasileira sobre móveis europeus (cortes iguais todo 1º de janeiro). Do lado da UE, novo corte para bambu, rotim e outras matérias.
- 1º de janeiro de 2030A UE zera a tarifa de 5,6% sobre assentos e móveis de bambu, rotim e outras matérias (9401.52, 9401.53, 9401.59, 9403.82, 9403.83, 9403.89).
- 1º de janeiro de 2036O Brasil zera a tarifa de 18% sobre móveis de metal para escritório (9403.10), colchões e somiês (9404.10, 9404.21, 9404.29), sacos de dormir, assentos de veículos e aviões e partes de assentos 9401.99.
- 1º de janeiro de 2041O Brasil zera a tarifa de 18% sobre estofados (9401.61, 9401.71), assentos giratórios, outros móveis de madeira (9403.60), móveis de metal (9403.20), móveis de outras matérias (9403.89), partes 9403.99 e edredões.
O que muda para o setor
O acordo entre Mercosul e União Europeia está em vigor provisoriamente desde 1º de maio de 2026. No Brasil, a base legal é o Decreto nº 12.953, de 28/04/2026. Para o setor de móveis, ele mexe em dois lados, e os dois têm pesos muito diferentes.
Exportar para a UE: a mudança é pequena. A tarifa europeia sobre o móvel brasileiro já era baixa: média de 1,9%, ou 1,3% quando ponderada pelo que o Brasil vende. Em 2025, 65,6% das vendas já entravam com tarifa zero. Outros 21,7% passaram a zero em maio de 2026. Os 12,7% restantes zeram até 2030. A vantagem real não está no preço da tarifa. Ela vem de menos burocracia e de mais atenção dos compradores europeus ao Brasil.
Concorrência europeia no Brasil: hoje o móvel europeu paga 18% para entrar aqui. Essa proteção cai devagar, em cortes anuais iguais. Nas linhas que mais pesam no comércio, ela só zera em 2036 ou em 2041. E 43,4% do que o Brasil importou da UE em 2025 está em linhas que nunca chegam a zero. Entre elas estão os móveis de madeira para escritório, cozinha e quarto.
O setor é grande e formado por empresas pequenas. São 60.130 empresas ativas, das quais 51.665 são microempresas e 6.228 são empresas de pequeno porte. O comércio com a UE é desequilibrado: em 2025 o Brasil importou US$ 217,2 milhões do bloco e exportou US$ 76,9 milhões.
Quais produtos ficam de fora e quais caem
Lado brasileiro (tarifa que o móvel europeu paga para entrar no Brasil, base de 18%):
| Situação | Códigos e produtos |
|---|---|
| Excluídos: a tarifa de 18% não cai | 9403.30.00 móveis de madeira para escritório; 9403.40.00 móveis de madeira para cozinha; 9403.50.00 móveis de madeira para quarto de dormir; 9403.70.00 móveis de plástico; 9403.82.00 de bambu; 9403.83.00 de rotim; 9403.91.00 partes de madeira; 9401.41.00 e 9401.49.00 (assentos transformáveis em camas); 9401.52.00, 9401.53.00 e 9401.59.00 (assentos de bambu, rotim e outros); 9401.69.00 (outros assentos com armação de madeira, não estofados); 9401.91.00 partes de assentos, de madeira |
| Zero em 1º/1/2036 (11 etapas) | 9403.10.00 móveis de metal para escritório; 9404.10.00 somiês; 9404.21.00 e 9404.29.00 colchões; 9404.30.00 sacos de dormir; 9401.10.10 e 9401.10.90 assentos de aviões; 9401.20.00 assentos de veículos; 9401.99.00 outras partes de assentos |
| Zero em 1º/1/2041 (16 etapas) | 9401.61.00 e 9401.71.00 assentos estofados; 9401.79.00 outros assentos com armação de metal; 9401.31.00 e 9401.39.00 assentos giratórios; 9401.80.00 outros assentos; 9403.20.10 e 9403.20.90 móveis de metal (cozinha e outros); 9403.60.00 outros móveis de madeira; 9403.89.00 móveis de outras matérias; 9403.99.00 outras partes; 9404.40.00 colchas e edredões; 9404.90.00 outros |
Lado europeu (tarifa que o móvel brasileiro paga para entrar na UE):
- Zero desde 1º/5/2026: quase todas as linhas de 9401, 9403 e 9404. Muitas já tinham tarifa de 0%, como móveis de madeira para quarto (9403.50.00) e para sala (9403.60.10). Houve corte real em elementos de cozinha de madeira (9403.40.10 e 9403.40.90, que pagavam 2,7%), em partes de móveis (9403.91.00, 9403.99.10 e 9403.99.90, 2,7%), em colchões, somiês, edredões e sacos de dormir (toda a 9404, 3,7%) e em assentos de veículos (9401.20.00, 3,7%).
- Zero em 1º/1/2030: 9401.52.00, 9401.53.00, 9401.59.00, 9403.82.00, 9403.83.00 e 9403.89.00 (bambu, rotim e outras matérias), que pagavam 5,6%.
- Nenhum produto do setor ficou excluído do lado europeu.
Os códigos europeus e brasileiros têm detalhamentos diferentes. Confirme a NCM exata do seu produto com o seu despachante.
Os números do setor com a União Europeia
Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.
| 2024 | 2025 | Desde maio/2026 | Variação | |
|---|---|---|---|---|
| Exportações do Brasil para a UE | US$ 65 mi | US$ 77 mi | US$ 25 mi | -8% |
| Importações do Brasil vindas da UE | US$ 188 mi | US$ 217 mi | US$ 117 mi | +21% |
O que o Brasil mais vende do setor para a UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 9403 | Outros móveis e suas partes | US$ 71 mi |
| 9401 | Assentos (exceto os da posição 9402), mesmo transformáveis em camas, e suas partes | US$ 5,3 mi |
| 9404 | Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos | US$ 138 mil |
O que o Brasil mais compra do setor da UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 9401 | Assentos (exceto os da posição 9402), mesmo transformáveis em camas, e suas partes | US$ 164 mi |
| 9403 | Outros móveis e suas partes | US$ 50 mi |
| 9404 | Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos | US$ 3,4 mi |
Guia completa · grátis
Leia a guia completa de móveis
Cadastre o seu e-mail e libere na hora a guia completa, e todas as outras guias da NanoIris. Sem custo.
- Oportunidades para quem exporta
- Riscos: a concorrência europeia no Brasil
- De onde vêm os concorrentes europeus
- Insumos e máquinas mais baratos
- O que fazer agora: checklist
Perguntas frequentes
O acordo Mercosul-UE zera a tarifa de importação de móveis europeus?
Não de imediato. A tarifa brasileira de 18% cai em cortes anuais e zera em 1º/1/2036 ou 1º/1/2041, conforme o produto. Móveis de madeira para escritório, cozinha e quarto, móveis de plástico e partes de madeira ficam excluídos e mantêm 18%.
Quanto a UE cobra para importar móveis do Brasil depois do acordo?
Para quase todos os móveis, assentos e colchões, a tarifa é zero desde 1º/5/2026. A exceção são os produtos de bambu, rotim e outras matérias, que pagavam 5,6% e zeram em 1º/1/2030.
Sofás e estofados europeus vão ficar mais baratos no Brasil?
Aos poucos. Os assentos estofados (9401.61 e 9401.71) têm a tarifa de 18% reduzida em 16 etapas anuais, até zero em 1º/1/2041.
Colchões europeus terão tarifa zero no Brasil?
Sim, em 1º/1/2036. Colchões (9404.21 e 9404.29) e somiês (9404.10) têm a tarifa de 18% reduzida em 11 etapas anuais.
Empresas europeias podem vender móveis em licitações no Brasil?
Sim. Desde a entrada em vigor do acordo, elas disputam compras públicas federais e estaduais em condições de igualdade com as empresas brasileiras.
Preciso de certificação para exportar móveis de madeira para a Europa?
A regra europeia contra desmatamento (EUDR) exige rastreabilidade e gestão da cadeia de custódia da madeira. O Sebrae vê vantagem para quem tem Selo de Manejo Sustentável. Confirme as exigências com o seu comprador e com órgãos de apoio.
Precisa de mais do que uma guia?
A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.
Guia informativa, não é consultoria jurídica, tributária ou aduaneira.
Fontes
- Anexo 2-A do Acordo Mercosul–UE (listas tarifárias)
- Decreto nº 12.953/2026
- Fichas setoriais da Comissão Europeia sobre o acordo
- Agência Sebrae
- Diário do Comércio (Sebrae), com dados da ApexBrasil e Abimóvel
- Insper Agro Global, Comércio Internacional, julho/2026
- Garrigues
- ApexBrasil (via Gazeta do Povo)
- ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
- Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)
