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Acordo Mercosul–UE: o que muda para automóveis e autopeças
O Brasil importa da UE cerca de 17 vezes mais do que exporta neste setor: US$ 3.932,2 milhões contra US$ 226,6 milhões em 2025. A tarifa brasileira sobre autopeças e veículos europeus cai devagar, até 2036 ou 2041. Já a tarifa europeia sobre o produto brasileiro, que é baixa, zera antes.
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Em uma frase
A autopeça europeia que hoje paga 14% a 18% para entrar no Brasil terá tarifa zero em 2036 ou 2041, e você precisa usar esse prazo para ficar competitivo.
Quando muda: o calendário
- maio de 2026O acordo entra em vigor. A UE zera a tarifa sobre para-choques (8708.10), carroçarias (8707), reboques e semirreboques (8716) e veículos especiais (8705). No Brasil, carros europeus a combustão entram com 17,5% em vez de 35%, dentro de uma cota de 32.000 unidades/ano. Elétricos e híbridos passam de 35% para 25%. As autopeças das categorias 10 e 15 começam a cair.
- 1º de janeiro de 2030A UE zera a tarifa sobre partes de bicicleta brasileiras (8714.91 a 8714.99).
- 1º de janeiro de 2033A UE zera a tarifa sobre a maior parte das autopeças brasileiras da posição 8708 (categoria 7). No Brasil, a tarifa dos veículos da categoria 15V fica cheia até o fim de 2032 e começa a cair a partir de 2033.
- fim de 2034Acaba a cota brasileira de 32.000 veículos europeus com 50% de desconto.
- 1º de janeiro de 2036O Brasil zera a tarifa sobre autopeças europeias da categoria 10: para-choques, cintos de segurança, portas, painéis e eixos não motores. Na mesma data, a UE zera a tarifa sobre carros (8703), caminhões (8704) e ônibus (8702) brasileiros da categoria 10.
- 1º de janeiro de 2041O Brasil zera a tarifa sobre autopeças da categoria 15 (caixas de marchas, partes de caixas, alguns freios) e sobre os veículos 15V. Os híbridos e elétricos seguem um cronograma especial: zero em 2044, 2051 ou 2056.
O que muda para o setor
O setor tem 12.959 empresas ativas no Brasil. A maioria é micro (7.811) ou de pequeno porte (2.585). Elas se concentram em SP (4.144), PR (1.367), RS (1.248) e MG (1.168). Para quase todas, o acordo muda pouco no curto prazo e muito no longo prazo.
Do lado das importações, o Brasil compra muito da UE: US$ 3.932,2 milhões em 2025. Desse total, US$ 2.515,6 milhões foram autopeças (8708) e US$ 1.095,5 milhões automóveis (8703). Hoje a tarifa brasileira média sobre esses produtos é alta: 21,0%, ponderada pelo comércio. Ela cai devagar. Em 2025, 42,0% do comércio estava em produtos que zeram entre 2035 e 2036, e 50,2% em produtos que zeram entre 2037 e 2041.
Do lado das exportações, a UE já cobrava pouco: 4,4% em média ponderada. Com o acordo, 84,3% do que o Brasil vende zera entre 2031 e 2034, e 9,0% zerou em 2026. O ganho existe, mas é pequeno, porque a tarifa já era baixa.
Os primeiros meses ainda não mostram efeito do acordo. De maio a setembro de 2026, as exportações do setor para a UE caíram 12,6%, contra alta de 3,2% em jan–abr. As importações caíram 6,8%, mas já vinham caindo 5,5% antes do acordo. É cedo para tirar conclusões.
Quais produtos ficam de fora e quais caem
Tarifa do Brasil sobre o produto europeu (concorrência aqui dentro)
| Código | Produto | Tarifa base | Quando zera |
|---|---|---|---|
| 8708.40.11, 8708.50.11 | Caixas servo-assistidas ≥750 Nm; eixos com diferencial de alta carga | 0% | Já zero desde 1º/5/2026 |
| 8708.10.00, 8708.21.00, 8708.29.13/14/93/94/99, 8708.30.11/19, 8708.50.12/19 | Para-choques, cintos, portas, painéis, freios, eixos não motores | 14%–18% | 1º/1/2036 |
| 8708.29.19/91/92, 8708.30.90, 8708.40.19/80/90 | Outras partes de carroceria, para-lamas, grades, caixas de marchas e suas partes | 14%–18% | 1º/1/2041 |
| 8703.21 a 8703.33 (várias linhas) | Carros a combustão (15V) | 35% | Tarifa cheia até 2032, zero em 2041; cota de 32.000 unid. com 50% de desconto até 2034 |
| 8703.40 a 8703.80 | Híbridos e elétricos | 35% | Zero em 2044 (algumas linhas de 8703.80 só em 2051) |
| 8703.90.00 | Outros veículos | 35% | Zero em 2056 |
| 8705 (guindastes, bombeiros, betoneiras) | Veículos especiais | 35% | 2036 ou 2041 |
Ficam DE FORA (categoria E, a tarifa não cai):
- Caminhões: 8704.21.10, 8704.22.10/20/90, 8704.23.10/20, 8704.32.10/20/30/90, 8704.41.00 e 8704.42.00 (35%).
- Tratores rodoviários: 8701.21.00 a 8701.29.00 (35%).
- Reboques e semirreboques: 8716.10.00, 8716.20.00, 8716.39.00, 8716.40.00 e chassis 8716.90.10.
- Partes de motocicletas: 8714.10.00. Algumas partes de bicicleta: 8714.91, 8714.92 e 8714.96.
Tarifa da UE sobre o produto brasileiro (oportunidade de exportar)
- Zero desde 1º/5/2026: para-choques 8708.10 (antes 3%–4,5%), carroçarias 8707 (4,5%), reboques e semirreboques 8716 (1,7%–2,7%), veículos especiais 8705 (3,7%), partes de motos 8714.10 (3,7%).
- Zero em 1º/1/2033: quase todas as demais autopeças da posição 8708 (3%–4,5%): freios, caixas de marchas, eixos, rodas de alumínio, vidros, cintos. Também alguns caminhões e ônibus a diesel (10%).
- Zero em 1º/1/2036: automóveis 8703 (10%), muitos caminhões 8704 (22% ou 10%) e ônibus maiores 8702 (16%).
- Zero em 1º/1/2030: partes de bicicleta 8714.91 a 8714.99 (4,7%).
Atenção: algumas linhas aparecem duas vezes, com prazos diferentes (ex.: 8708.22.00 e 8705.10). Confirme a NCM exata do seu produto com o despachante.
Os números do setor com a União Europeia
Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.
| 2024 | 2025 | Desde maio/2026 | Variação | |
|---|---|---|---|---|
| Exportações do Brasil para a UE | US$ 239 mi | US$ 227 mi | US$ 87 mi | -13% |
| Importações do Brasil vindas da UE | US$ 4,0 bi | US$ 3,9 bi | US$ 1,7 bi | -7% |
O que o Brasil mais vende do setor para a UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 8708 | Partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705 | US$ 196 mi |
| 8703 | Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para o transporte de pessoas (exceto os da posição 8702), i | US$ 10 mi |
| 8716 | Reboques e semi-reboques para quaisquer veículos; outros veículos não autopropulsores; suas partes | US$ 9,8 mi |
| 8704 | Veículos automóveis para transporte de mercadorias | US$ 8,5 mi |
| 8702 | Veículos automóveis para o transporte de dez pessoas ou mais, incluíndo o condutor | US$ 665 mil |
| 8714 | Partes e acessórios dos veículos das posições 8711 a 8713 | US$ 572 mil |
O que o Brasil mais compra do setor da UE
| SH4 | Produto | 2025 |
|---|---|---|
| 8708 | Partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705 | US$ 2,5 bi |
| 8703 | Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para o transporte de pessoas (exceto os da posição 8702), i | US$ 1,1 bi |
| 8704 | Veículos automóveis para transporte de mercadorias | US$ 93 mi |
| 8701 | Tractores (exceto os da posição 8709) | US$ 84 mi |
| 8714 | Partes e acessórios dos veículos das posições 8711 a 8713 | US$ 75 mi |
| 8705 | Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo: auto-socorros, camiões-guindastes, veículos de combate a incêndio, camiões-betoneiras, | US$ 33 mi |
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- Oportunidades para quem exporta
- Riscos: a concorrência europeia no Brasil
- De onde vêm os concorrentes europeus
- Insumos e máquinas mais baratos
- O que fazer agora: checklist
Perguntas frequentes
Quando a autopeça europeia vai ter imposto de importação zero no Brasil?
Depende da peça. Para-choques, cintos, portas, painéis e eixos não motores zeram em 1º/1/2036. Caixas de marchas, suas partes e alguns para-lamas e grades zeram em 1º/1/2041. Algumas linhas já eram zero e continuam zero.
Os carros europeus vão ficar mais baratos no Brasil com o acordo Mercosul–UE?
Pouco, por enquanto. A tarifa de 35% fica cheia até 2032 para a maioria dos carros a combustão. Mas até 32.000 unidades por ano entram com 17,5% até 2034. Elétricos e híbridos caíram de 35% para 25%.
Quanto a UE cobra hoje das autopeças brasileiras?
Entre 3% e 4,5% na maioria das linhas 8708. Essa tarifa cai todo ano e zera em 1º/1/2033. Para-choques (8708.10) já estão com tarifa zero desde maio de 2026.
Caminhões e implementos rodoviários estão protegidos no acordo?
Em boa parte, sim. Vários caminhões (8704.22, 8704.32, 8704.41, 8704.42), tratores rodoviários (8701.21 a 8701.29) e reboques e semirreboques (8716.39, 8716.40) estão excluídos. A tarifa brasileira não cai.
O Brasil pode frear uma invasão de carros europeus?
Sim. Segundo estudo Embrapa/Insper, o acordo tem salvaguarda para o setor: em caso de surto de importação de veículos da UE, o Mercosul pode voltar à tarifa cheia.
O acordo já aumentou as importações de autopeças europeias?
Ainda não há sinal disso. De maio a setembro de 2026, as importações do setor vindas da UE caíram 6,8%, e já vinham caindo 5,5% antes do acordo.
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Fontes
- Anexo 2-A do Acordo Mercosul–UE (cronogramas tarifários) e Apêndice 2-A-2
- Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
- MDIC/Secex – Acordo MERCOSUL-UE: Manual de Desgravação Tarifária
- Comissão Europeia – fichas setoriais do acordo
- FGV IBRE (Blog do IBRE)
- Embrapa / Insper (ANPEC 2025)
- Intereconomics (ZBW/CEPS e FGV Europe)
- AutoData
- ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
- Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)
