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Acordo Mercosul–UE: o que muda para têxteis e confecções

O Brasil vai zerar, em etapas anuais até 2036, tarifas de até 35% sobre tecidos, fios e roupas europeias. A Europa também zera as tarifas dela, mas elas já eram baixas, então para quem produz no Brasil a concorrência pesa mais do que o novo acesso ao mercado europeu.

Guia gratuitaRiscoAtualizada em 8 de outubro de 2026
145.711empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
US$ 81 miexportações para a UE em 2025importações: US$ 337 mi
+1%exportações para a UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
-6%importações da UE desde maiomai–set/2026 vs 2025
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Em uma frase

A tarifa de 35% que protege sua roupa feminina (6204) zera em 1º/1/2034, enquanto a tarifa europeia que você enfrenta para vender a mesma peça lá era de apenas 12%.

Quando muda: o calendário

  1. maio de 2026Zeram no Brasil: tecidos revestidos de PVC e poliuretano (5903, antes 26%), fibras de viscose (5504.10.00, antes 12%), liocel e fios de aramida. As roupas europeias com tarifa de 35% têm o primeiro corte, de 3,9 pontos. Na UE, o algodão brasileiro (5201) segue com tarifa zero, como já era.
  2. janeiro de 2027Novo corte anual igual em todas as linhas que ainda não zeraram, dos dois lados. O mesmo acontece em todo 1º de janeiro até cada produto chegar a zero.
  3. 1º de janeiro de 2030Zeram no Brasil: telas para pneus (5902), parte dos têxteis técnicos (5911.10, 5911.20, 5911.40), fios de polipropileno (5402.34 e 5402.48) e outras fibras artificiais (5504.90.90). Zeram na UE: fios de seda (5004), cordas e cordéis (5607), fios de fibras vegetais (5308) e parte dos têxteis técnicos (5911.10, 5911.20, 5911.40).
  4. 1º de janeiro de 2034Zeram dos dois lados: roupas femininas da 6204 (no Brasil, antes 35%; na UE, antes 12%) e a maior parte dos fios sintéticos (5402). Zeram também no Brasil os falsos tecidos (5603, antes 26%) e os tecidos com borracha (5906), e na UE as fitas (5806).
  5. 1º de janeiro de 2036Últimos cortes: zeram dos dois lados os têxteis técnicos para máquinas de papel e outros (5911.31, 5911.32, 5911.90) e os fios de poliéster da 5402.47.

O que muda para o setor

Desde 1º de maio de 2026 vale, de forma provisória, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. No Brasil, ele entrou em vigor pelo Decreto nº 12.953, de 28/04/2026. Para têxteis e confecções, a mudança é grande e acontece aos poucos. O corte é igual a cada ano, sempre em 1º de janeiro.

Do lado brasileiro (concorrência): hoje o Brasil cobra, em média, 25,3% de tarifa sobre têxteis europeus. Ponderada pelo que de fato se importa, a média é de 24,0%. Essa proteção vai sumir. Em valor de 2025, 9,5% das importações do setor zeraram já em 2026, 22,7% zeram entre 2027 e 2030, 59,7% entre 2031 e 2034 e 8,1% em 2035–2036. As roupas, que pagam 35%, chegam a zero em 1º/1/2034.

Do lado europeu (exportação): a UE cobrava pouco. A média é de 8,0%, e de 5,7% ponderada pelo comércio. Além disso, 23,9% do que o Brasil vendeu à UE em 2025 já entrava sem tarifa. Então o ganho para quem exporta existe, mas é menor do que a proteção que você perde aqui dentro.

O tamanho do comércio mostra o desequilíbrio. Em 2025 o Brasil importou US$ 336,5 milhões em têxteis da UE e exportou US$ 81,2 milhões para lá. Por isso classificamos o impacto como risco para quem produz no Brasil, com prazo para se preparar.

Quais produtos ficam de fora e quais caem

Ficam de fora? Nas linhas do setor listadas nesta análise não aparece nenhuma categoria E (excluído). Pelo comércio de 2025, todo o valor importado e exportado tem data para chegar a zero até 2036. Mesmo assim, confira a sua NCM exata no anexo de tarifas do acordo com o seu despachante. Os códigos europeus (8 dígitos) não são iguais à NCM brasileira.

Tarifa do Brasil sobre produtos europeus (concorrência aqui dentro):

CódigoProdutoTarifa baseZero em
5903Tecidos revestidos de PVC, poliuretano e outros26%1º/5/2026 (já)
5504.10.00 / 5504.90.10Fibras de viscose / liocel12% / 2%1º/5/2026 (já)
5402.11.00 / 5402.45.10Fios de aramida2%1º/5/2026 (já)
5902Telas para pneus14–16%1º/1/2030
5911.10, 5911.20, 5911.40Têxteis técnicos (parte)16–26%1º/1/2030
5402.34.00 / 5402.48.00Fios de polipropileno18%1º/1/2030
5504.90.90Outras fibras artificiais12%1º/1/2030
6204Conjuntos, casacos, vestidos, saias, calças femininas35%1º/1/2034
5603Falsos tecidos (não tecidos)26% (aramidas 2%)1º/1/2034
5402 (maioria)Fios sintéticos de náilon, poliéster, elastômeros18%1º/1/2034
5906Tecidos com borracha, fitas adesivas16%1º/1/2034
5911.31, 5911.32, 5911.90Têxteis técnicos (restante)26%1º/1/2036
5402.47Outros fios de poliéster18%1º/1/2036

Tarifa da UE sobre produtos brasileiros (oportunidade de exportar):

CódigoProdutoTarifa baseZero em
5201Algodão0%já era zero
5308.10.00Fios de cairo (fibra de coco)0%já era zero
5402.11.00Fios de aramida4%1º/5/2026 (já)
5004Fios de seda4%1º/1/2030
5607Cordéis, cordas e cabos6–12%1º/1/2030
5308 (demais)Fios de outras fibras vegetais, fios de papel3–4,9%1º/1/2030
5911.10, 5911.20, 5911.40Têxteis técnicos (parte)4,6–6%1º/1/2030
6204Roupas femininas (conjuntos, vestidos, saias, calças)12%1º/1/2034
5806Fitas6,2–7,5%1º/1/2034
5402 (maioria)Fios sintéticos4%1º/1/2034
5911.31, 5911.32, 5911.90 / 5402.47Têxteis técnicos (restante) / fios de poliéster4–6%1º/1/2036

Os números do setor com a União Europeia

Valores FOB em dólares, ComexStat (MDIC), atualizados até setembro de 2026. O acordo é aplicado desde 1º de maio de 2026: comparamos maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.

20242025Desde maio/2026Variação
Exportações do Brasil para a UEUS$ 83 miUS$ 81 miUS$ 31 mi+1%
Importações do Brasil vindas da UEUS$ 310 miUS$ 337 miUS$ 142 mi-6%

O que o Brasil mais vende do setor para a UE

SH4Produto2025
5201Algodão, não cardado nem penteadoUS$ 15 mi
5004Fios de seda (exceto fios de desperdícios de seda) não acondicionados para venda a retalhoUS$ 10 mi
5607Cordéis, cordas e cabos, entrançados ou não, mesmo impregnados, revestidos, recobertos ou embainhados de borracha ou de plásticoUS$ 8,3 mi
5806Fitas, exceto os artefactos da posição 5807; fitas sem trama, de fios ou fibras paralelizados e colados (bolducs)US$ 4,7 mi
6204Fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calças, calças, jardineiras, bermudas e calções (shorts) (exceto de banho),US$ 4,2 mi
5308Fios de outras fibras têxteis vegetais; fios de papelUS$ 4,2 mi

O que o Brasil mais compra do setor da UE

SH4Produto2025
5911Produtos e artefactos, de matérias têxteis, para usos técnicos, indicados na Nota 7 do presente capítuloUS$ 34 mi
5603Falsos tecidos, mesmo impregnados, revestidos, recobertos ou estratificadosUS$ 28 mi
5402Fios de filamentos sintéticos (exceto linhas para costurar), não acondicionados para venda a retalho, incluídos os monofilamentos sintéticosUS$ 23 mi
6204Fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calças, calças, jardineiras, bermudas e calções (shorts) (exceto de banho),US$ 17 mi
5902Telas para pneumáticos fabricadas com fios de alta tenacidade de nylon ou de outras poliamidas, de poliésteres ou de raiom de viscoseUS$ 17 mi
5504Fibras artificiais descontínuas, não cardadas, não penteadas nem transformadas de outro modo para fiaçãoUS$ 12 mi

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  • Oportunidades para quem exporta
  • Riscos: a concorrência europeia no Brasil
  • De onde vêm os concorrentes europeus
  • Insumos e máquinas mais baratos
  • O que fazer agora: checklist

Perguntas frequentes

Quando a tarifa de importação de roupas europeias vai zerar no Brasil?

Para as roupas femininas da posição 6204, a tarifa de 35% cai um pouco a cada ano desde maio de 2026 e chega a zero em 1º de janeiro de 2034.

Algum produto têxtil ficou fora do acordo Mercosul–UE?

Nas linhas do setor analisadas não há produto excluído (categoria E). Pelo comércio de 2025, todo o valor tem data para zerar até 2036. Confirme a sua NCM exata no anexo do acordo com o despachante.

O acordo já aumentou as importações de tecidos europeus?

Ainda não. De maio a setembro de 2026, as importações do setor vindas da UE caíram 6,3%. Elas já caíam antes do acordo (−2,6% em jan–abr). Os cortes maiores de tarifa vêm nos próximos anos.

Quanto a UE cobra para importar roupas brasileiras?

Para as roupas femininas da 6204, a tarifa europeia era de 12% e zera em 1º de janeiro de 2034, com cortes anuais. O algodão em pluma já entrava com tarifa zero.

Quais insumos têxteis europeus já estão sem tarifa?

Desde 1º de maio de 2026: fibras de viscose (5504.10.00), liocel (5504.90.10), fios de aramida e tecidos revestidos de PVC ou poliuretano (5903), que pagavam até 26%.

Pequena confecção consegue exportar para a Europa com o acordo?

Pode, mas a tarifa europeia cai aos poucos até 2034 e é preciso comprovar a origem Mercosul. Segundo a Agência Sebrae, a Europa já responde por 19% das exportações dos pequenos negócios brasileiros.

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Fontes

  • Anexo de tarifas (cronogramas de desgravação) do Acordo Provisório de Comércio Mercosul–UE
  • Decreto nº 12.953, de 28/04/2026
  • Fichas informativas da Comissão Europeia sobre o acordo (têxteis e máquinas)
  • Avaliação do Impacto da Sustentabilidade – LSE Consulting para a Comissão Europeia
  • ABIT / Febratex – Acordo Mercosul-UE: impacto para o setor têxtil e de confecção
  • CNN Brasil – nota da Abit sobre empregos no setor
  • Agência Sebrae – impacto do acordo para pequenos negócios
  • ComexStat/MDIC — exportações e importações por posição SH4, bloco União Europeia
  • Receita Federal — cadastro CNPJ, estabelecimentos ativos (março de 2026)