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Tarifaço dos EUA: o que muda para aço, siderurgia e metais

Quase tudo o que o setor de aço e metais vende aos EUA deve estar na Seção 232. Por isso, não deve pagar as novas sobretaxas da Seção 301 (25% e 12,5%). O custo principal continua sendo a própria 232, e uma pequena parte de produtos fora dela pode pagar até 37,5% a mais.

Guia gratuitaImpacto baixoAtualizada em 8 de outubro de 2026
US$ 6,3 biexportações do setor aos EUA em 2025119.835 empresas no Brasil
0%das exportações com sobretaxa 301estimativa por posição de 6 dígitos
1%das exportações sem sobretaxalistas de exceção do USTR
+29%exportações aos EUA em ago–set/2026contra ago–set/2025
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Em uma frase

Pela nossa estimativa, 98,5% das exportações do setor aos EUA em 2025 estariam na Seção 232 e ficariam fora das sobretaxas de 25% e 12,5%. Só 0,1% pagaria os 37,5% extras.

O calendário das tarifas

  1. 06/04/2026A Seção 232 dos metais passa a ser cobrada sobre o valor aduaneiro total dos derivados de aço, alumínio e cobre. As faixas de alíquota devem ser confirmadas no HTS.
  2. 22/07/2026, 00h01 (hora do leste dos EUA)Começa a sobretaxa de 25% da Seção 301 contra o Brasil (HTS 9903.05.01). Produtos da 232 ficam fora dela (9903.05.07).
  3. 24/07/2026, 00h01Começa a sobretaxa de 12,5% da ação de trabalho forçado (HTS 9903.05.27). Termina a sobretaxa global de 10% da Seção 122.
  4. 13/08/2026O Brasil abre na Camex um processo com base na Lei da Reciprocidade Econômica e pede consultas diplomáticas.
  5. 30/09/2026Brasil e EUA criam um grupo de trabalho para discutir um acordo. Os EUA devem enviar um documento de escopo.
  6. 04/11/2026Fim da consulta pública do formulário da CBP para restituição das tarifas IEEPA derrubadas pela Suprema Corte.

O que muda para o setor

Em 2025, o setor de aço, siderurgia e metais (capítulos 72, 73, 74, 75, 76, 78, 79 e 81) exportou US$ 6.300,9 milhões aos EUA. Em 2024, foram US$ 6.831,0 milhões. Os estados que mais vendem são Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Ceará, São Paulo e Pará.

A boa notícia: as duas novas sobretaxas da Seção 301 (25% contra o Brasil e 12,5% da ação de trabalho forçado) não se aplicam a produtos cobertos pela Seção 232. A 232 abrange aço, alumínio, cobre e seus derivados. Pela nossa estimativa, 98,5% do que o setor vendeu aos EUA em 2025 estaria na 232. Outros 1,4% estariam sem sobretaxa, e só 0,1% pagaria os 37,5% extras.

Isso não quer dizer tarifa zero. Quem está na 232 continua pagando a 232, que vale para todos os países. Para aço, alumínio e cobre, a alíquota indicada é de 50%, com faixas de 25% para alguns derivados. Essas alíquotas mudaram várias vezes em 2026: confirme o valor exato no HTS antes de fechar preço.

Nos números recentes, as vendas de agosto–setembro/2026 somaram US$ 1.109,5 milhões, contra US$ 861,7 milhões no mesmo período de 2025 (+28,8%). Leia com cuidado: em agosto e setembro de 2025 vigorava a sobretaxa IEEPA de 40%, depois derrubada, e dois meses são pouco para concluir tendência. No primeiro semestre (jan–jun/2026 contra jan–jun/2025), as vendas caíram 9,8%.

Quais produtos pagam e quais estão isentos

A tabela mostra os principais produtos do setor exportados aos EUA. A situação é uma estimativa pela posição de 6 dígitos. As listas oficiais usam o HTS americano de 8 ou 10 dígitos, e os dígitos 7 e 8 não coincidem com a NCM. Confirme o código HTS com o seu importador.

NCMProduto2025 (US$ mi)Situação estimada
7207.12.00Semimanufaturados de aço não ligado, seção retangular2.570,4Seção 232 provável: não paga as 301, paga a 232
7201.10.00Ferro fundido bruto (ferro-gusa) não ligado1.389,1Seção 232 provável. Também consta na lista de exceção dos 25% (HTS 7201.10.00)
7224.90.00Semimanufaturados de outras ligas de aço765,2Seção 232 provável
7202.93.00Ferro-nióbio214,5Seção 232 provável. Exceções nos HTS 7202.93.40 e 7202.93.80
7606.12.90Chapas e tiras de ligas de alumínio133,0Seção 232 provável
7210.49.10Laminados planos de aço não ligado94,8Seção 232 provável
7202.60.00Ferro-níquel88,1Seção 232 provável. Exceção no HTS 7202.60.00
7409.21.00Chapas e tiras de latão72,2Seção 232 provável
7411.10.10Tubos de cobre refinado66,1Seção 232 provável
7304.29.39Tubos sem costura de ligas de aço para poços62,2Seção 232 provável
8112.99.00Obras de gálio, háfnio, índio, nióbio, rênio e tálio58,2Sem sobretaxa (exceções nos HTS 8112.99.10, .20 e .91)
7213.91.10Fio-máquina de aço não ligado51,2Seção 232 provável

Casos especiais citados nas regras oficiais:

  • Sucata de ferro/aço 7204.10, 7204.29, 7204.49, 7204.50 e sucata de alumínio 7602: isentas só dos 12,5%. Se não estiverem na 232, pagam os 25%.
  • Sucata 7204.21, 7204.30 e 7204.41: estão na lista de exceção dos 25%. Confirme se também estão na lista dos 12,5%.
  • Ferro-gusa, ferro-nióbio e ferro-níquel: nossa classificação os indica como 232 provável, mas eles também aparecem na lista de exceção dos 25%. Confirme com o importador se estão na 232 e se também estão isentos dos 12,5% (HTS 9903.05.86).
  • Derivados com até 15% de metal, retirados da 232 em 02/04/2026: segundo fonte secundária, voltariam a pagar as duas 301 (até 37,5%). Ainda deve ser confirmado.

Atenção: algumas posições do capítulo 73 (obras de ferro e aço) incluem artigos de outros setores, como utilidades domésticas e partes de máquinas. Parte desses valores pode não ser do seu segmento.

Quanto do setor paga a sobretaxa

Exportações do setor aos EUA em 2025 (ComexStat/MDIC, FOB), por situação diante das duas sobretaxas da Seção 301. Estimativa pela posição de 6 dígitos: confira o código HTS exato do seu produto com o importador.

Situação% das exportações de 2025
Seção 232 provável (sem as 301; verificar)98,5%
sem sobretaxa1,4%
+37,5% (25% + 12,5%)0,1%

Os produtos do setor mais vendidos aos EUA

NCMProduto2025Ago–set/2026Situação
72071200Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado, de seção transversal retanguUS$ 2,6 biUS$ 453 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
72011000Ferro fundido bruto não ligado, que contenha, em peso, 0,5 % ou menos de fósforoUS$ 1,4 biUS$ 137 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
72249000Produtos semimanufaturados, de outras ligas de açosUS$ 765 miUS$ 169 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
72029300Ferro-nióbioUS$ 214 miUS$ 79 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
76061290Outras chapas e tiras, de ligas alumínio, espessura > 0.2mmUS$ 133 miUS$ 17 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
72104910Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura igual ou superior a 600 US$ 95 miUS$ 0Seção 232 provável (sem as 301; verificar)
72026000Ferro-níquelUS$ 88 miUS$ 24 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)
74092100Chapas e tiras de ligas à base de cobre-zinco (latão, de espessura superior a 0,15 mm, em US$ 72 miUS$ 11 miSeção 232 provável (sem as 301; verificar)

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  • Riscos para quem exporta aos EUA
  • Onde ainda há espaço
  • O que pode mudar: negociação e reciprocidade
  • Como confirmar a situação do seu produto
  • O que fazer agora: checklist

Perguntas frequentes

O aço brasileiro paga a tarifa de 37,5% dos EUA?

Em geral, não. Produtos de aço cobertos pela Seção 232 não pagam as sobretaxas 301 de 25% e 12,5%. Eles pagam a 232, que vale para todos os países. Artigos de metal fora da 232 e fora das listas de exceção podem pagar até 37,5% a mais.

Qual é a tarifa da Seção 232 sobre aço e alumínio?

A referência é 50% para aço, alumínio e cobre, com faixas de 25% para alguns derivados. As alíquotas mudaram várias vezes em 2026: confirme o valor atual no HTS antes de fechar negócio.

Ferro-gusa e ferroligas estão isentos das tarifas dos EUA?

Ferro-gusa (7201.10.00), ferro-nióbio (7202.93.40 e .80) e ferro-níquel (7202.60.00) aparecem na lista de exceção dos 25%. Confirme com o importador se também estão isentos dos 12,5% ou se entram na 232.

A sucata de ferro e alumínio paga sobretaxa nos EUA?

Depende da linha. As sucatas 7204.10, .29, .49, .50 e 7602 estão isentas só dos 12,5% e, se não estiverem na 232, pagam 25%. Já 7204.21, .30 e .41 estão na lista de exceção dos 25%.

Posso pedir exclusão do meu produto da tarifa de 25%?

Até agora, não há processo formal de exclusão por produto. O USTR diz que pode mudar a ação pela Seção 307, e Brasil e EUA criaram um grupo de trabalho em 30/09/2026.

Como sei o código HTS do meu produto?

Peça ao seu importador nos EUA o código de 8 ou 10 dígitos que ele declara. Só os 6 primeiros dígitos coincidem com a NCM. Confirme a NCM com o seu despachante.

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Guia informativa, não é consultoria aduaneira. A situação de cada produto depende do código HTS americano de 8 ou 10 dígitos usado pelo importador; as listas mudam por ato do USTR.

Fontes

  • USTR – Notice of Action, 91 FR 45516 (Federal Register, 20/07/2026)
  • USTR – Notice of Action trabalho forçado, 91 FR 47318 (Federal Register, 28/07/2026)
  • Memorandos presidenciais 91 FR 45619 e 91 FR 47717
  • CBP – CSMS #69302472 e #69326983
  • Proclamação 11012 (Seção 122), Federal Register 2026-03824
  • EO 14389, Federal Register 2026-03832
  • CBP – Court-Ordered Refunds Under IEEPA, Federal Register 2026-20228
  • MDIC, via Money Times (jul/2026)
  • Ministério das Relações Exteriores – nota à imprensa de 13/08/2026 sobre a Lei da Reciprocidade
  • Space Money – negociações Brasil–EUA (31/08/2026)
  • Diário do Grande ABC – grupo de trabalho Brasil–EUA (30/09/2026)
  • GingerControl – Section 232 tariff rates
  • GHY International – ajustes da Seção 232 para aço, alumínio e cobre
  • USTR — Section 301, 91 FR 45516 e 91 FR 47318 (listas de exceção)
  • ComexStat/MDIC — exportações para os Estados Unidos por NCM
  • Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)