Geopolítica › Tarifaço dos EUA › Aeronaves e aeroespacial

Guia do setor · Bens de capital

Tarifaço dos EUA: o que muda para aeronaves e o setor aeroespacial

Quase tudo o que o setor aeroespacial brasileiro vende aos EUA está fora das novas sobretaxas de 25% e 12,5%, mas só quando o uso final é aeronáutico civil. Se a documentação falhar ou o uso não for civil, o mesmo produto pode pagar a tarifa normal mais 37,5 pontos.

Guia gratuitaImpacto baixoAtualizada em 8 de outubro de 2026
US$ 3,1 biexportações do setor aos EUA em 2025156 empresas no Brasil
0%das exportações com sobretaxa 301estimativa por posição de 6 dígitos
0%das exportações sem sobretaxamais 100% só em usos específicos
+84%exportações aos EUA em ago–set/2026contra ago–set/2025
Navegar pelas guias

Em uma frase

Em 2025 o setor exportou US$ 3.050,6 milhões aos EUA e, pela nossa estimativa, 100% disso tem isenção, mas ela vale só para uso aeronáutico civil comprovado.

O calendário das tarifas

  1. 22/07/2026, 00h01 (hora do leste dos EUA)Começa a sobretaxa de 25% da Seção 301 contra o Brasil. Aeronaves civis, motores, partes e simuladores ficam isentos se o uso for aeronáutico civil.
  2. 24/07/2026, 00h01Começa a sobretaxa de 12,5% da ação «trabalho forçado». A exceção para uso aeronáutico civil também vale. Termina a sobretaxa global de 10% (Seção 122).
  3. 13/08/2026O Brasil abre na Camex um processo da Lei da Reciprocidade Econômica e pede consultas diplomáticas. O resultado ainda não foi publicado.
  4. 03/09/2026Entra em vigor a Seção 232 sobre drones (Proclamação 11055). Ainda não está confirmado se as sobretaxas 301 se somam a ela.
  5. 30/09/2026Brasil e EUA criam um grupo de trabalho para discutir um acordo. Os EUA devem enviar um documento de escopo.
  6. Até 04/11/2026Fica em consulta pública o formulário da CBP para restituir as tarifas IEEPA de 2025. O prazo e a forma de restituição para empresas brasileiras ainda devem ser confirmados.

O que muda para o setor

O setor de aeronaves e aeroespacial (capítulo 88 da NCM) tem 156 empresas ativas no Brasil. A maior parte fica em São Paulo (80), seguido de MG (13), PR (10), SC (10), RS (8) e RJ (8). As vendas aos EUA somaram US$ 2.689,0 milhões em 2024 e US$ 3.050,6 milhões em 2025. Quase tudo saiu de São Paulo: US$ 2.855,2 milhões em 2025.

A boa notícia: pela nossa estimativa, 100% das exportações de 2025 estão em códigos que têm exceção das duas sobretaxas da Seção 301, a de 25% e a de 12,5%. Só 0,0% cai direto nos 37,5%. Há uma condição importante: a exceção vale só para uso aeronáutico civil. Para ficar livre, o importador precisa comprovar esse uso final.

Os números recentes são positivos, mas leia com cuidado. Em agosto–setembro de 2026, já com as sobretaxas, o setor vendeu US$ 716,6 milhões aos EUA, contra US$ 388,5 milhões no mesmo período de 2025, uma alta de 84,5%. Em agosto e setembro de 2025 valia a sobretaxa IEEPA de 40%, que depois foi derrubada. Por isso a comparação não é limpa. Também em janeiro–junho, antes das sobretaxas 301, houve alta de 32,9% sobre 2025.

Entregas de aviões são grandes e irregulares. Dois meses não bastam para tirar conclusões de causa e efeito.

Quais produtos pagam e quais estão isentos

A tabela abaixo é uma estimativa pela posição de 6 dígitos. As listas oficiais usam o código HTS americano, de 8 ou 10 dígitos, e os dígitos 7 e 8 não coincidem com a NCM. Confirme sempre o código HTS com o seu importador.

NCMProdutoExportado aos EUA em 2025Situação estimada
8802.40.90Aviões acima de 15.000 kg vaziosUS$ 1.561,1 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8802.40.01)
8802.30.39Aviões a turbojato de 7.000 a 15.000 kgUS$ 1.165,3 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8802.30.01)
8807.30.00Outras partes de aviões ou helicópterosUS$ 253,7 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8807.30.00)
8807.20.00Trens de aterrissagem e partesUS$ 39,6 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8807.20.00)
8807.10.00Hélices, rotores e partesUS$ 22,9 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8807.10.00)
8802.20.10Aviões a hélice até 2.000 kgUS$ 2,9 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8802.20.01)
8802.30.31Aviões a turbojato até 7.000 kgUS$ 2,0 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8802.30.01)
8807.90.00Outras partes de veículos aéreos/espaciaisUS$ 1,8 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8807.90.90)
8806.94.00Drones (aeronaves não tripuladas)US$ 0,9 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8806.94.00). Atenção: os drones também têm Seção 232 desde 03/09/2026, e a combinação com as 301 está INCERTA
8801.00.00Balões, dirigíveis, planadoresUS$ 0,1 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil
8802.11.00Helicópteros até 2.000 kgUS$ 0,1 miIsento das duas só para uso aeronáutico civil (HTS 8802.11.01)
8804.00.00Paraquedas e parapentesUS$ 0,1 miPaga MFN + 37,5% (25% + 12,5%)

Fora do capítulo 88, muitos componentes também têm exceção só para uso aeronáutico civil. Exemplos: bombas e compressores (8413, 8414), motores e geradores elétricos (8501) e chicotes elétricos (8544.30). Se você fornece esse tipo de item para aviação, verifique o código.

Quanto do setor paga a sobretaxa

Exportações do setor aos EUA em 2025 (ComexStat/MDIC, FOB), por situação diante das duas sobretaxas da Seção 301. Estimativa pela posição de 6 dígitos: confira o código HTS exato do seu produto com o importador.

Situação% das exportações de 2025
sem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)100,0%
+37,5% (25% + 12,5%)0,0%

Os produtos do setor mais vendidos aos EUA

NCMProduto2025Ago–set/2026Situação
88024090Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000 kg, vaziosUS$ 1,6 biUS$ 380 misem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88023039Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato, 7000 kg < peso <= 15000 kg, vaziosUS$ 1,2 biUS$ 270 misem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88073000Outras partes de aviões ou de helicópterosUS$ 254 miUS$ 50 misem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88072000Trens de aterrissagem e suas partes, para veículos aéreos, etc.US$ 40 miUS$ 8,1 misem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88071000Hélices e rotores, e suas partes, para veículos aéreos, etc.US$ 23 miUS$ 2,8 misem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88022010Aviões e outros veículos aéreos, a hélice, de peso não superior a 2.000 kg, vaziosUS$ 2,9 miUS$ 589 milsem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88023031Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato, de peso inferior ou igual a 7.000 kg, vaziosUS$ 2,0 miUS$ 0sem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)
88079000Outras partes para veículos aéreos/espaciaisUS$ 1,8 miUS$ 192 milsem sobretaxa só para usos ou artigos específicos (aeronáutico, farmacêutico, «Ex»)

Guia completa · grátis

Leia a guia completa de aeronaves e aeroespacial

Cadastre o seu e-mail e libere na hora a guia completa, e todas as outras guias da NanoIris. Sem custo.

  • Riscos para quem exporta aos EUA
  • Onde ainda há espaço
  • O que pode mudar: negociação e reciprocidade
  • Como confirmar a situação do seu produto
  • O que fazer agora: checklist

Perguntas frequentes

Avião brasileiro paga tarifa de 37,5% nos EUA?

Pela nossa estimativa, não, se o uso for aeronáutico civil. Aviões, partes, trens de pouso e hélices estão nas exceções das duas sobretaxas 301 para esse uso. Sem prova do uso civil, podem pagar a tarifa normal mais 37,5%.

Peças de avião exportadas para os EUA pagam a sobretaxa de 25%?

Peças do capítulo 88 e vários componentes, como motores elétricos, bombas e fiação, estão isentos só quando destinados a aeronave civil. O importador deve guardar documentação do uso final.

Paraquedas e parapentes pagam tarifa nos EUA?

Sim. Pela estimativa, a posição 8804 não tem exceção e paga a tarifa normal mais 25% e 12,5%, ou seja, 37,5 pontos a mais.

Drones brasileiros pagam tarifa nos EUA?

Os drones têm exceção nas 301 para uso aeronáutico civil, mas desde 03/09/2026 há uma Seção 232 sobre drones. Ainda não está confirmado como as duas medidas se combinam. Consulte o importador.

Desde quando valem as novas tarifas dos EUA sobre o Brasil?

A de 25% vale desde 22/07/2026 e a de 12,5% desde 24/07/2026. As janelas de alívio para cargas em trânsito já fecharam.

A tarifa de 40% de 2025 ainda existe?

Não. A Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas IEEPA em 20/02/2026 e o governo as encerrou. A forma de restituição para empresas brasileiras ainda deve ser confirmada.

Precisa de mais do que uma guia?

A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.

Guia informativa, não é consultoria aduaneira. A situação de cada produto depende do código HTS americano de 8 ou 10 dígitos usado pelo importador; as listas mudam por ato do USTR.

Fontes

  • USTR, Notice of Action, 91 FR 45516 (Seção 301 Brasil, 25%) e Annex I/II
  • USTR, Notice of Action, 91 FR 47318 (Seção 301 trabalho forçado, 12,5%)
  • CBP, CSMS #69302472 e #69326983
  • Proclamação 11055 (Seção 232 drones), Federal Register 2026-16979
  • Ministério das Relações Exteriores, nota à imprensa de 13/08/2026 (Lei da Reciprocidade)
  • Federal Register 2026-20228 (restituição IEEPA, CBP)
  • Space Money e Diário do Grande ABC (reunião de 31/08/2026 e grupo de trabalho de 30/09/2026)
  • USTR — Section 301, 91 FR 45516 e 91 FR 47318 (listas de exceção)
  • ComexStat/MDIC — exportações para os Estados Unidos por NCM
  • Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)