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Guia do setor · Indústria de base

CBAM: o que muda para quem produz e exporta alumínio

Desde 1º/1/2026, quem importa alumínio para a União Europeia paga pelas emissões de carbono do produto. Quem produz no Brasil não paga nada diretamente, mas quem mede e comprova as próprias emissões tende a negociar melhor com o comprador europeu.

Guia gratuitaOportunidades e riscosAtualizada em 8 de outubro de 2026
US$ 251 miexportações para a UE em 2025 nos produtos cobertosestimativa ComexStat/MDIC
88,7 mil tvolume exportado à UE em 2025
14códigos do setor no Anexo IReg. (UE) 2023/956
615empresas do setor no BrasilReceita Federal, CNPJ ativos
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Em uma frase

Na nossa estimativa com valor-padrão, o alumínio bruto brasileiro gera um custo de cerca de 36 € por tonelada em 2026. A primeira declaração, com a entrega dos certificados, vence em 30/9/2027.

Os prazos do CBAM

  1. 1º/1/2026Começa a fase de pagamento. O alumínio importado pela UE em 2026 já gera obrigação, que será paga em 2027.
  2. 4/1/2027A Comissão Europeia publica o preço do certificado do 4º trimestre de 2026. A partir de 2027, o preço passa a ser semanal.
  3. 1º/2/2027Começa a venda de certificados CBAM na plataforma central europeia.
  4. 30/9/2027Prazo da 1ª declaração anual (importações de 2026) e da entrega dos certificados. Os seus dados de 2026 precisam estar verificados antes dessa data.
  5. Até dez/2027Revisão dos valores-padrão e dos acréscimos aplicados a quem não tem dados próprios.
  6. 1º/1/2028 (proposta)Possível extensão a cerca de 180 produtos a jusante com muito aço ou alumínio. Ainda não é lei.

O que muda para o setor

A União Europeia passou a cobrar pelo carbono contido no alumínio que entra no bloco. Desde 1º/1/2026, o importador europeu precisa comprar certificados CBAM. Cada certificado corresponde a 1 tonelada de CO2 equivalente (tCO2e) emitida na produção. O preço acompanha o mercado de carbono europeu (EU ETS).

Quem paga é o importador europeu, não você. Mas o custo entra na negociação: preço, Incoterm e cláusulas de contrato. E há um ponto decisivo. Se você não fornecer emissões reais verificadas, o comprador usa os valores-padrão, que vêm com acréscimo e encarecem o seu produto.

A exposição do setor é relevante. Em 2025, o Brasil exportou à UE US$ 250,5 milhões (88.722 toneladas) em produtos de alumínio cobertos pelo CBAM, segundo nossa estimativa com dados do ComexStat. A maior parte é alumínio não ligado em formas brutas: US$ 199,4 milhões (76.131 t). Pará, São Paulo e Maranhão lideram essas vendas.

Por que o impacto é misto? A exposição está concentrada em poucos grandes exportadores de alumínio bruto. Em 2026, o custo por tonelada ainda é moderado, porque a indústria europeia continua recebendo licenças gratuitas. Esse desconto, porém, diminui todo ano até acabar em 2034. Atenção também a um ponto importante: para o alumínio, só contam as emissões diretas. A eletricidade consumida não entra no cálculo. Por isso, usar energia limpa não reduz a conta do CBAM neste setor.

Quais produtos do setor pagam

Estão no Anexo I do regulamento europeu (os 6 primeiros dígitos coincidem com a NCM):

  • 7601 – Alumínio em formas brutas (lingotes, tarugos, placas)
  • 7603 – Pós e escamas
  • 7604 – Barras e perfis
  • 7605 – Fios
  • 7606 – Chapas e tiras com mais de 0,2 mm
  • 7607 – Folhas com até 0,2 mm
  • 7608 – Tubos
  • 7609 00 00 – Acessórios para tubos
  • 7610 – Construções e suas partes (portas, janelas, estruturas)
  • 7611 00 00 – Reservatórios acima de 300 litros
  • 7612 – Latas, barris, tambores e recipientes até 300 litros
  • 7613 00 00 – Recipientes para gases comprimidos
  • 7614 – Cordas e cabos não isolados
  • 7616 – Outras obras de alumínio

Ficam fora hoje: sucata de alumínio (7602) e artigos de uso doméstico (7615).

Além do CO2, o CBAM conta os gases PFC, que são emitidos na fusão primária do alumínio.

Atenção: algumas posições, como 7612 (latas) e 7616 (parafusos, telas e outras obras), também incluem produtos de embalagem ou de metalurgia leve. Parte dos valores exportados nesses códigos pode não ser do seu segmento. Confirme a NCM exata dos seus produtos com o seu despachante.

Quais produtos estão cobertos

Códigos do Anexo I (CBAM (carbono)) que tocam o setor. «ex» quer dizer que só parte do código está coberta.

Código NCProduto
7601Alumínio em formas brutas
7603Pós e escamas, de alumínio
7604Barras e perfis, de alumínio
7605Fios de alumínio
7606Chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2 mm
7607Folhas e tiras delgadas de alumínio (mesmo impressas ou com suporte), de espessura não superior a 0,2 mm (excluído o sup
7608Tubos de alumínio
7609 00 00Acessórios para tubos (uniões, cotovelos, mangas), de alumínio
7610Construções de alumínio (exceto pré-fabricadas da posição 9406) e suas partes; chapas, barras, perfis, tubos e semelhant
7611 00 00Reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes, de alumínio, de capacidade superior a 300 l
7612Reservatórios, barris, tambores, latas, caixas e recipientes semelhantes (incl. tubulares rígidos ou flexíveis), de alum
7613 00 00Recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, de alumínio
7614Cordas, cabos, entrançados e semelhantes, de alumínio, não isolados para usos elétricos
7616Outras obras de alumínio

O que o Brasil mais exporta desses produtos para a UE

Exportações de 2025 (ComexStat/MDIC, FOB). Estimativa: códigos «ex» e de 8 dígitos comparados pelos 6 primeiros dígitos.

NCMProduto2025Toneladas
76011000Alumínio não ligado, em formas brutasUS$ 199 mi76.131
76071190Outras folhas e tiras, de alumínio sem suporte, laminado, espessura <= 0.2 mmUS$ 26 mi6.360
76051110Fios de alumínio não ligado, com a maior dimensão da seção transversal superior US$ 12 mi3.841
76012000Ligas de alumínio, em formas brutasUS$ 5,9 mi2.050
76169900Outras obras de alumínioUS$ 3,4 mi48
76110000Reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes para quaisquer matérias (US$ 1,9 mi126
76129090Outros reservatórios, etc, de alumínio, de capacidade não superior a 300 litros,US$ 523 mil25
76161000Tachas, pregos, escápulas, parafusos, pinos ou pernos roscados, porcas, ganchos US$ 522 mil2

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Perguntas frequentes

Exportador brasileiro de alumínio paga o CBAM?

Não diretamente. Quem paga é o importador europeu. Mas o custo tende a ser negociado no preço, e você precisa fornecer as emissões verificadas para evitar o valor-padrão com acréscimo.

Quanto custa o CBAM por tonelada de alumínio?

Na nossa estimativa ilustrativa para o alumínio bruto em 2026, com valor-padrão do Brasil e preço do 1º trimestre (75,36 €/t), cerca de 36 € por tonelada. Não é um cálculo oficial, e o custo sobe nos próximos anos.

A energia limpa do Brasil reduz o CBAM do alumínio?

Não. Para o alumínio, o CBAM conta só as emissões diretas da produção. A eletricidade consumida não entra no cálculo.

O acordo UE–Mercosul isenta o alumínio do CBAM?

Não. O CBAM não é uma tarifa aduaneira. Ele é cobrado mesmo quando a tarifa de importação é zero.

Qual o prazo para entregar os dados de emissões de 2026?

A primeira declaração anual do importador vence em 30/9/2027. Os seus dados de 2026 precisam estar verificados por um verificador acreditado na UE antes dessa data.

Sucata e panelas de alumínio entram no CBAM?

Hoje não. A sucata (7602) e os artigos de uso doméstico (7615) estão fora da lista. Confirme a NCM com o seu despachante.

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A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.

Guia informativa, não é consultoria. Os custos são estimativas com valores-padrão oficiais; o valor real depende das emissões verificadas da sua fábrica e do preço do carbono no momento.

Fontes

  • Regulamento (UE) 2023/956, versão consolidada de 20/10/2025 – http://data.europa.eu/eli/reg/2023/956/2025-10-20
  • Regulamento (UE) 2025/2083 (Omnibus)
  • Regulamentos de Execução (UE) 2025/2546, 2025/2547, 2025/2548, 2025/2620, 2025/2621 e 2026/1740
  • Comissão Europeia – Preço dos certificados CBAM: https://taxation-customs.ec.europa.eu/carbon-border-adjustment-mechanism/price-cbam-certificates_en
  • Comissão Europeia (DG TAXUD) – Documentos de orientação CBAM (Guidance No. 1, 2 e 4)
  • Proposta COM(2025) 989 da Comissão Europeia (extensão a produtos a jusante)
  • Lei 15.042/2024 (SBCE) e análise ESCAS: https://www.escas.org.br/pulicacoes-escas/mercado-de-carbono/
  • Eurometal/Fastmarkets (2026)
  • Barbieri Advogados (2026), sobre o acordo UE–Mercosul e o CBAM
  • Regulamento (UE) 2023/956, Anexo I consolidado (20/10/2025)
  • Regulamento de Execução (UE) 2026/1740 — valores-padrão para o Brasil
  • ComexStat/MDIC — exportações para a União Europeia por NCM (2025)
  • Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)