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Guia do setor · Indústria de base
CBAM: o que muda para quem produz e exporta alumínio
Desde 1º/1/2026, quem importa alumínio para a União Europeia paga pelas emissões de carbono do produto. Quem produz no Brasil não paga nada diretamente, mas quem mede e comprova as próprias emissões tende a negociar melhor com o comprador europeu.
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Em uma frase
Na nossa estimativa com valor-padrão, o alumínio bruto brasileiro gera um custo de cerca de 36 € por tonelada em 2026. A primeira declaração, com a entrega dos certificados, vence em 30/9/2027.
Os prazos do CBAM
- 1º/1/2026Começa a fase de pagamento. O alumínio importado pela UE em 2026 já gera obrigação, que será paga em 2027.
- 4/1/2027A Comissão Europeia publica o preço do certificado do 4º trimestre de 2026. A partir de 2027, o preço passa a ser semanal.
- 1º/2/2027Começa a venda de certificados CBAM na plataforma central europeia.
- 30/9/2027Prazo da 1ª declaração anual (importações de 2026) e da entrega dos certificados. Os seus dados de 2026 precisam estar verificados antes dessa data.
- Até dez/2027Revisão dos valores-padrão e dos acréscimos aplicados a quem não tem dados próprios.
- 1º/1/2028 (proposta)Possível extensão a cerca de 180 produtos a jusante com muito aço ou alumínio. Ainda não é lei.
O que muda para o setor
A União Europeia passou a cobrar pelo carbono contido no alumínio que entra no bloco. Desde 1º/1/2026, o importador europeu precisa comprar certificados CBAM. Cada certificado corresponde a 1 tonelada de CO2 equivalente (tCO2e) emitida na produção. O preço acompanha o mercado de carbono europeu (EU ETS).
Quem paga é o importador europeu, não você. Mas o custo entra na negociação: preço, Incoterm e cláusulas de contrato. E há um ponto decisivo. Se você não fornecer emissões reais verificadas, o comprador usa os valores-padrão, que vêm com acréscimo e encarecem o seu produto.
A exposição do setor é relevante. Em 2025, o Brasil exportou à UE US$ 250,5 milhões (88.722 toneladas) em produtos de alumínio cobertos pelo CBAM, segundo nossa estimativa com dados do ComexStat. A maior parte é alumínio não ligado em formas brutas: US$ 199,4 milhões (76.131 t). Pará, São Paulo e Maranhão lideram essas vendas.
Por que o impacto é misto? A exposição está concentrada em poucos grandes exportadores de alumínio bruto. Em 2026, o custo por tonelada ainda é moderado, porque a indústria europeia continua recebendo licenças gratuitas. Esse desconto, porém, diminui todo ano até acabar em 2034. Atenção também a um ponto importante: para o alumínio, só contam as emissões diretas. A eletricidade consumida não entra no cálculo. Por isso, usar energia limpa não reduz a conta do CBAM neste setor.
Quais produtos do setor pagam
Estão no Anexo I do regulamento europeu (os 6 primeiros dígitos coincidem com a NCM):
- 7601 – Alumínio em formas brutas (lingotes, tarugos, placas)
- 7603 – Pós e escamas
- 7604 – Barras e perfis
- 7605 – Fios
- 7606 – Chapas e tiras com mais de 0,2 mm
- 7607 – Folhas com até 0,2 mm
- 7608 – Tubos
- 7609 00 00 – Acessórios para tubos
- 7610 – Construções e suas partes (portas, janelas, estruturas)
- 7611 00 00 – Reservatórios acima de 300 litros
- 7612 – Latas, barris, tambores e recipientes até 300 litros
- 7613 00 00 – Recipientes para gases comprimidos
- 7614 – Cordas e cabos não isolados
- 7616 – Outras obras de alumínio
Ficam fora hoje: sucata de alumínio (7602) e artigos de uso doméstico (7615).
Além do CO2, o CBAM conta os gases PFC, que são emitidos na fusão primária do alumínio.
Atenção: algumas posições, como 7612 (latas) e 7616 (parafusos, telas e outras obras), também incluem produtos de embalagem ou de metalurgia leve. Parte dos valores exportados nesses códigos pode não ser do seu segmento. Confirme a NCM exata dos seus produtos com o seu despachante.
Quais produtos estão cobertos
Códigos do Anexo I (CBAM (carbono)) que tocam o setor. «ex» quer dizer que só parte do código está coberta.
| Código NC | Produto |
|---|---|
| 7601 | Alumínio em formas brutas |
| 7603 | Pós e escamas, de alumínio |
| 7604 | Barras e perfis, de alumínio |
| 7605 | Fios de alumínio |
| 7606 | Chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2 mm |
| 7607 | Folhas e tiras delgadas de alumínio (mesmo impressas ou com suporte), de espessura não superior a 0,2 mm (excluído o sup |
| 7608 | Tubos de alumínio |
| 7609 00 00 | Acessórios para tubos (uniões, cotovelos, mangas), de alumínio |
| 7610 | Construções de alumínio (exceto pré-fabricadas da posição 9406) e suas partes; chapas, barras, perfis, tubos e semelhant |
| 7611 00 00 | Reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes, de alumínio, de capacidade superior a 300 l |
| 7612 | Reservatórios, barris, tambores, latas, caixas e recipientes semelhantes (incl. tubulares rígidos ou flexíveis), de alum |
| 7613 00 00 | Recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, de alumínio |
| 7614 | Cordas, cabos, entrançados e semelhantes, de alumínio, não isolados para usos elétricos |
| 7616 | Outras obras de alumínio |
O que o Brasil mais exporta desses produtos para a UE
Exportações de 2025 (ComexStat/MDIC, FOB). Estimativa: códigos «ex» e de 8 dígitos comparados pelos 6 primeiros dígitos.
| NCM | Produto | 2025 | Toneladas |
|---|---|---|---|
| 76011000 | Alumínio não ligado, em formas brutas | US$ 199 mi | 76.131 |
| 76071190 | Outras folhas e tiras, de alumínio sem suporte, laminado, espessura <= 0.2 mm | US$ 26 mi | 6.360 |
| 76051110 | Fios de alumínio não ligado, com a maior dimensão da seção transversal superior | US$ 12 mi | 3.841 |
| 76012000 | Ligas de alumínio, em formas brutas | US$ 5,9 mi | 2.050 |
| 76169900 | Outras obras de alumínio | US$ 3,4 mi | 48 |
| 76110000 | Reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes para quaisquer matérias ( | US$ 1,9 mi | 126 |
| 76129090 | Outros reservatórios, etc, de alumínio, de capacidade não superior a 300 litros, | US$ 523 mil | 25 |
| 76161000 | Tachas, pregos, escápulas, parafusos, pinos ou pernos roscados, porcas, ganchos | US$ 522 mil | 2 |
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Perguntas frequentes
Exportador brasileiro de alumínio paga o CBAM?
Não diretamente. Quem paga é o importador europeu. Mas o custo tende a ser negociado no preço, e você precisa fornecer as emissões verificadas para evitar o valor-padrão com acréscimo.
Quanto custa o CBAM por tonelada de alumínio?
Na nossa estimativa ilustrativa para o alumínio bruto em 2026, com valor-padrão do Brasil e preço do 1º trimestre (75,36 €/t), cerca de 36 € por tonelada. Não é um cálculo oficial, e o custo sobe nos próximos anos.
A energia limpa do Brasil reduz o CBAM do alumínio?
Não. Para o alumínio, o CBAM conta só as emissões diretas da produção. A eletricidade consumida não entra no cálculo.
O acordo UE–Mercosul isenta o alumínio do CBAM?
Não. O CBAM não é uma tarifa aduaneira. Ele é cobrado mesmo quando a tarifa de importação é zero.
Qual o prazo para entregar os dados de emissões de 2026?
A primeira declaração anual do importador vence em 30/9/2027. Os seus dados de 2026 precisam estar verificados por um verificador acreditado na UE antes dessa data.
Sucata e panelas de alumínio entram no CBAM?
Hoje não. A sucata (7602) e os artigos de uso doméstico (7615) estão fora da lista. Confirme a NCM com o seu despachante.
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A NanoIris cruza dados oficiais de comércio exterior, empresas e regras para mostrar o impacto nos seus produtos, nos seus clientes e nos seus concorrentes, código por código.
Guia informativa, não é consultoria. Os custos são estimativas com valores-padrão oficiais; o valor real depende das emissões verificadas da sua fábrica e do preço do carbono no momento.
Fontes
- Regulamento (UE) 2023/956, versão consolidada de 20/10/2025 – http://data.europa.eu/eli/reg/2023/956/2025-10-20
- Regulamento (UE) 2025/2083 (Omnibus)
- Regulamentos de Execução (UE) 2025/2546, 2025/2547, 2025/2548, 2025/2620, 2025/2621 e 2026/1740
- Comissão Europeia – Preço dos certificados CBAM: https://taxation-customs.ec.europa.eu/carbon-border-adjustment-mechanism/price-cbam-certificates_en
- Comissão Europeia (DG TAXUD) – Documentos de orientação CBAM (Guidance No. 1, 2 e 4)
- Proposta COM(2025) 989 da Comissão Europeia (extensão a produtos a jusante)
- Lei 15.042/2024 (SBCE) e análise ESCAS: https://www.escas.org.br/pulicacoes-escas/mercado-de-carbono/
- Eurometal/Fastmarkets (2026)
- Barbieri Advogados (2026), sobre o acordo UE–Mercosul e o CBAM
- Regulamento (UE) 2023/956, Anexo I consolidado (20/10/2025)
- Regulamento de Execução (UE) 2026/1740 — valores-padrão para o Brasil
- ComexStat/MDIC — exportações para a União Europeia por NCM (2025)
- Receita Federal — cadastro CNPJ (março de 2026)
