Entre 23 de outubro e 5 de novembro, a Polícia Federal fez operações no Pará, no Amazonas e em Roraima, com buscas também em Goiás, contra o comércio de ouro ilegal, o apoio logístico ao garimpo e a ocultação de patrimônio.
O que aconteceu
Três ações da Polícia Federal nas últimas semanas miraram menos a extração do ouro ilegal e mais a estrutura em volta dela: o transporte, a compra e o dinheiro. Em 23 de outubro, a PF cumpriu cinco mandados de busca em Ourilândia do Norte e Tucumã, no sudeste do Pará, contra a comercialização ilegal de ouro; foi apreendido um helicóptero que pode ter sido usado no transporte clandestino do minério, e as buscas em Tucumã alcançaram dois postos de combustível, uma casa e uma chácara ligados a um mesmo suspeito de comprar ouro ilegalmente (PF).
Em 29 de outubro, no Amazonas, a Operação Navegação Paralela mirou um grupo investigado por fornecer insumos, transporte e apoio operacional ao garimpo ilegal em rios da Amazônia, com indícios de ocultação de valores; a Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 35 milhões em bens (PF). Em 5 de novembro, a segunda fase da Operação Buruburu, da PF em Roraima, cumpriu três mandados de busca em Santarém (PA) e Goiânia (GO) e medidas patrimoniais que somam mais de R$ 248 milhões, com bloqueio de contas e sequestro de imóveis, veículos e aeronaves (PF).
Contexto
A primeira fase da Buruburu, em 2023, tratou de quem financiava e dava apoio por avião ao garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami; a segunda investiga o uso de empresas, cooperativas e terceiros para movimentar e esconder patrimônio, segundo a PF. No mesmo período, a operação Nêmesis inutilizou 72 embarcações e equipamentos de garimpo no rio Madeira, em Rondônia, e apreendeu frascos de mercúrio (PF). Todos os fatos estão sob investigação.
No mercado formal, o Pará respondeu por 8,3% do valor do ouro exportado pelo Brasil de janeiro a outubro de 2026, pelo estado do exportador; Minas Gerais, por 48,7% (Comex Stat no observatório). O dado oficial não mostra a origem do metal antes da primeira venda.
Por que importa para o setor
Helicópteros, barcos, aviões e postos de combustível são a infraestrutura de transporte de um garimpo distante de estradas. Ao mirar esses meios e o patrimônio de quem os financia, a PF ataca o elo logístico que leva o ouro da lavra ao comprador.
Para empresas que compram, refinam, transportam ou exportam ouro de forma legal, o efeito prático é a pressão por comprovar a origem de cada lote. Transportadoras e custodiantes que recebem metal de regiões de garimpo ficam expostos ao risco de levar ouro com documentação frágil, mesmo sem saber.
O que acompanhar
- Os desdobramentos das operações no Pará, no Amazonas e em Roraima.
- O uso, pela PF, do novo laboratório para identificar a origem do ouro apreendido (o laboratório).
- Mudanças nas regras de compra e de transporte de ouro de garimpo.
Fontes
- PF reprime venda ilegal de ouro no Pará — Polícia Federal, 23/10/2026 · comunicado oficial (Lido)
- PF faz operação contra grupo investigado por apoio logístico ao garimpo ilegal no Amazonas — Polícia Federal, 29/10/2026 · comunicado oficial (Lido)
- PF atua contra garimpo ilegal e lavagem de capitais — Polícia Federal, 05/11/2026 · comunicado oficial (Lido)
- PF inutiliza 72 embarcações e maquinários do garimpo ilegal no Rio Madeira — Polícia Federal, 27/10/2026 · comunicado oficial (Lido)
- Comércio exterior: ouro por estado — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · ouro exportado por estado (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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