Segundo o governo paulista, a Justiça mandou bloquear bens de investigados que passam de R$ 374 milhões. A Polícia Civil apura um esquema que ia do roubo de joias à fundição e à lavagem do dinheiro.
O que aconteceu
A Polícia Civil de São Paulo fez em 27 de outubro a terceira fase da Operação Ouro Reverso, chamada «A Máquina», voltada ao núcleo financeiro de uma organização investigada por roubos, receptação e venda ilegal de joias e ouro e pela lavagem do dinheiro obtido (Agência SP). Segundo o governo do estado, a ação previa o cumprimento de 31 mandados de busca, além de interditar uma loja de joias e sequestrar um imóvel, e a Justiça mandou bloquear bens e ativos dos investigados que passam de R$ 374 milhões.
A ação, coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais, mobilizou 87 profissionais. Pela Prefeitura, participaram auditores da Receita Municipal; também estiveram auditores da Receita Estadual, policiais civis e três avaliadores da Caixa (Prefeitura de São Paulo).
Contexto
De acordo com a polícia, o grupo se organizava em núcleos: um obtinha joias e metais por meio de crimes contra o patrimônio, outro recebia e transformava o material, e um terceiro movimentava o dinheiro para esconder a origem, com empresas de fachada, pessoas usadas como «laranjas» e transferências em série. Por uma só empresa sob investigação teriam passado mais de R$ 356 milhões (Agência SP). Nada disso foi julgado: são conclusões da investigação.
A primeira fase, em maio de 2025, mirou suspeitos de roubos violentos de alianças; a segunda, em agosto, foi a oficinas e laboratórios numa área do centro paulistano conhecida por reunir fundições e comércio de metais preciosos, segundo o governo e a Veja São Paulo.
O mercado formal é grande: o Brasil exportou US$ 7,64 bilhões em ouro e US$ 128,2 milhões em joias de janeiro a outubro de 2026, segundo o Comex Stat (comércio exterior). O dado oficial não diz quanto desse metal passou por reciclagem.
Por que importa para o setor
O esquema descrito pela polícia mostra o caminho inverso da logística de valores: a joia roubada é transformada, vira produto novo e volta ao comércio formal. Cada etapa da cadeia legal (compra de ouro usado, fundição, refino, venda a joalherias) é um ponto em que a origem pode ser conferida ou perdida.
Para joalherias, compradores de ouro e transportadoras que levam metal entre fundições, refinadoras e clientes, operações como esta aumentam a exigência de saber de quem se compra e para quem se entrega. A equipe incluiu avaliadores da Caixa, instituição que avalia joias nos contratos de penhor; o governo não detalhou o papel deles na ação.
O que acompanhar
- As denúncias do Ministério Público e o destino dos bens bloqueados.
- Eventuais novas fases e medidas sobre o comércio de metais preciosos no centro de São Paulo.
- Mudanças nas regras de rastreabilidade do ouro em discussão no país.
Fontes
- Polícia de SP bloqueia R$ 374 milhões em operação contra lavagem de dinheiro de organização criminosa — Agência SP (Governo do Estado de São Paulo), 27/10/2026 · comunicado oficial da operação
- Fazenda paulistana participa de nova fase da Operação Ouro Reverso — Prefeitura de São Paulo — Secretaria da Fazenda, 27/10/2026 · órgãos que participaram
- Operação Ouro Reverso: Polícia Civil bloqueia R$ 374 milhões em ação contra quadrilha de joias — Veja São Paulo, 27/10/2026 · mesmo fato (Notícia)
- Polícia de SP faz operação contra quadrilha que roubava joias e ouro e bloqueia R$ 374 milhões — CBN, 27/10/2026 · mesmo fato (Notícia)
- Comércio exterior de ouro e joias — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · contexto do mercado (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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