O Brasil embarcou 7,3 toneladas de ouro no mês, mais que em setembro, mas recebeu menos por quilo. No acumulado do ano, o valor exportado já passa o de todo o ano de 2025.
O que aconteceu
Os dados de outubro do Comex Stat, publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em 6 de novembro, registram 7.291 quilos de ouro exportados pelo Brasil no mês (posição 7108), com valor de US$ 795,3 milhões (Comex Stat). Em setembro tinham sido 6.820 quilos e US$ 800,0 milhões; em outubro de 2025, 6.601 quilos e US$ 686,9 milhões.
Ou seja: em relação a setembro, saiu mais metal e entrou um pouco menos dinheiro. Dividindo o valor pelo peso, o quilo exportado valeu em média US$ 109.078 em outubro, contra US$ 117.302 em setembro, uma queda de 7,0% em um mês (cálculo NanoIris).
Contexto
Contra outubro de 2025, a comparação continua positiva: o valor subiu 15,8% e o peso, 10,5% (Comex Stat). O valor médio por quilo de outubro de 2026 é o menor desde julho de 2026 (US$ 107.406), na série mensal que o observatório acompanha desde janeiro de 2025; o pico foi março de 2026, com US$ 134.771 (série calculada).
De janeiro a outubro, o Brasil exportou 64.943 quilos de ouro, por US$ 7,64 bilhões. São 9,0% a mais em peso e 50,0% a mais em valor do que nos mesmos dez meses de 2025. Em valor, o acumulado de 2026 já supera os US$ 6,58 bilhões de todo o ano de 2025; em peso, ainda não: o ano passado fechou com 73.274 quilos (Comex Stat).
Os destinos de outubro foram Canadá (39,8% do valor), Suíça (31,9%) e Reino Unido (11,0%). Minas Gerais responde por 48,7% do valor exportado no ano, seguida de Bahia (14,1%) e Mato Grosso (9,8%), sempre pelo estado do exportador (comércio exterior no observatório).
Por que importa para o setor
O valor médio por quilo não é cotação: mistura barras, bulhão e outras formas, com graus de pureza diferentes. Mas é ele que mede quanto vale cada carga que sai do país, e é por valor que se calculam seguro, escolta e custódia. Quando o preço por quilo cai e o volume sobe, como em outubro, o número de embarques e o peso movimentado podem crescer mesmo com receita parecida — o que pesa mais na operação do que no faturamento.
Para quem transporta e guarda ouro, a alta de 50% no valor do ano, com só 9% a mais de peso (cálculo sobre o Comex Stat), significa que o risco por quilo transportado ficou bem maior em 2026. Uma queda de preço em um único mês não muda esse quadro, e pode ser só oscilação.
O que acompanhar
- O Comex de novembro, para ver se o valor médio por quilo segue abaixo do de setembro.
- A participação de Canadá e Suíça nos destinos, que concentram a maior parte do valor.
- Os estados exportadores: se Bahia, Mato Grosso e Pará ganham ou perdem espaço para Minas Gerais.
Fontes
- Exportações por posição SH4 (7108, ouro), outubro de 2026 e série desde janeiro de 2025 — MDIC — Comex Stat, 06/11/2026 · valores e pesos (fonte primária)
- Comércio exterior: valor médio por kg dos metais — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · valor médio por kg e variações (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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