O novo laboratório de geoquímica forense da PF, em Brasília, vai comparar amostras com uma base de referências das jazidas brasileiras. Para a PF, a técnica pode ajudar também o mercado legal a provar a origem do metal.
O que aconteceu
A Polícia Federal inaugurou em 3 de novembro, no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, um laboratório de geoquímica forense voltado à rastreabilidade de minérios (PF). A ideia é usar análises geoquímicas e isotópicas para descrever as características das jazidas brasileiras, montar uma base científica de referência e, com ela, comparar amostras de ouro apreendido para indicar sua provável procedência.
O laboratório faz parte do Programa Ouro Alvo, da PF, financiado pelo Fundo Amazônia dentro do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), sob coordenação do ministério da Justiça. Os recursos cobrem equipamentos para análise de minerais e de mercúrio e estruturas para preparar, caracterizar e guardar amostras. Segundo o comunicado, o Fundo Amazônia destinou R$ 318,5 milhões ao plano, dos quais R$ 49,7 milhões foram para o parque tecnológico e o laboratório de rastreamento do ouro, valor informado pelo BNDES na cerimônia (PF).
Contexto
O comunicado da PF afirma que a análise do metal permitirá confrontar a origem real com a declarada nos documentos que acompanham o ouro, ajudando a identificar fraudes, e que o mercado legal também pode ganhar com isso, porque passa a ter como provar a procedência do minério e valorizar cadeias certificadas.
No dia seguinte, uma reportagem do O Globo ouviu procuradores, peritos e representantes do setor que veem falhas no controle: segundo eles, a cadeia do ouro ainda se apoia em documentos autodeclaratórios, e a nota fiscal eletrônica registra a declaração do vendedor sem verificar a origem no início da cadeia.
O mercado legal é grande: o Brasil exportou US$ 7,64 bilhões em ouro de janeiro a outubro de 2026, segundo o Comex Stat; 97,4% desse valor foi despachado em Guarulhos (ouro exportado).
Por que importa para o setor
Hoje, a prova da origem do ouro que circula no país é basicamente documental. Uma referência geoquímica das jazidas cria a possibilidade de uma prova física, ao menos para o ouro apreendido. Para compradores, refinadoras, exportadores e quem transporta e guarda o metal, isso pode mudar o padrão de diligência exigido: se a origem pode ser testada, um documento sozinho vale menos.
O laboratório é, por ora, uma ferramenta de investigação criminal, não um serviço de certificação para o mercado. O comunicado não diz se a base de referências será aberta a certificadoras ou ao mercado; a distância entre uma coisa e outra depende dessa decisão.
O que acompanhar
- Os primeiros usos do laboratório em investigações e processos.
- Se a PF ou o governo abrem a base de referências a usos fora da investigação criminal.
- Iniciativas do setor privado de certificação de origem que possam usar a mesma base de referências.
Fontes
- PF inaugura laboratório para rastrear origem do ouro e combater garimpo ilegal — Polícia Federal, 03/11/2026 · comunicado oficial (Lido)
- Ouro e cassiterita extraídos ilegalmente abastecem mercado formal por falhas no sistema de controle, dizem especialistas — O Globo, 04/11/2026 · avaliação de especialistas sobre rastreabilidade (Notícia)
- Comércio exterior de ouro — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · contexto do mercado legal (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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