A AGTA, principal associação do comércio de gemas nos Estados Unidos, diz apoiar a isenção para pedras naturais, mas não prevê alívio para o Brasil sem um acordo entre os dois governos, segundo o IBGM.
O que aconteceu
O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) publicou em 6 de novembro a resposta que recebeu da American Gem Trade Association (AGTA) a uma carta enviada pelo instituto, com outras entidades brasileiras, sobre as tarifas de importação que os Estados Unidos aplicam às gemas do Brasil (IBGM). Segundo o IBGM, a associação americana reconhece que o setor brasileiro vive uma situação particularmente difícil e se oferece para receber, nos Estados Unidos, representantes do governo do Brasil.
Pelo relato do instituto, a AGTA atua junto ao USTR, o órgão de comércio exterior da Casa Branca, para que gemas naturais e pérolas naturais fiquem isentas de tarifa à medida que os acordos bilaterais forem fechados. A isenção teria entrado em todos os acordos concluídos até agora, mas nenhum país sem acordo a recebeu. A recomendação ao IBGM é a mesma dada a associações de outros países: atuar junto ao próprio governo por um acordo. A AGTA diz não esperar alívio relevante para as gemas lapidadas brasileiras antes disso.
Contexto
Os Estados Unidos são o principal destino das pedras preciosas e semipreciosas brasileiras (posição 7103): compraram US$ 35,8 milhões de janeiro a outubro de 2026, 25,5% do total exportado, à frente de China (15,9%) e Hong Kong (13,3%), segundo o Comex Stat (destinos).
O acumulado para os EUA é 15,5% menor que nos mesmos meses de 2025, mas a comparação engana: em janeiro de 2025, um único mês somou US$ 24,1 milhões. De fevereiro a outubro, as vendas de 2026 (US$ 27,4 milhões) superam as de 2025 (US$ 18,3 milhões) (cálculo sobre o Comex Stat). Em outubro de 2026, as exportações de pedras para os EUA foram de US$ 1,0 milhão. Nas joias, os EUA são o segundo destino, com US$ 24,7 milhões no ano, 47,4% a mais que no mesmo período de 2025.
Os dados de comércio não permitem medir sozinhos o efeito da tarifa: o valor das exportações depende também de preço, câmbio e estoques dos compradores.
Por que importa para o setor
Para quem exporta gemas, a mensagem da entidade americana é que a solução depende de negociação entre governos, não de pedido setorial. Enquanto isso, o custo da tarifa recai sobre a cadeia dos dois lados: os fornecedores brasileiros e a indústria americana de gemas e joias que depende dessas pedras, como lembra o IBGM.
Para a logística, a questão é de rota e de volume. Se a tarifa desviar vendas para Ásia e Oriente Médio, mudam os destinos dos embarques, os parceiros de transporte e as exigências de documentação e seguro. Pelos números até outubro, essa mudança ainda não aparece com clareza.
O que acompanhar
- Negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e eventual inclusão das gemas em um acordo.
- As exportações de pedras para os EUA em novembro e dezembro.
- Novas articulações do IBGM com o governo federal, que o instituto promete divulgar.
Fontes
- IBGM articula apoio da AGTA às gemas brasileiras diante das tarifas dos EUA — IBGM — Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, 06/11/2026 · relato da entidade (Notícia)
- Exportações das posições 7103 (pedras preciosas e semipreciosas) e 7113 a 7116 (joias) para os Estados Unidos, 2025 e 2026 — MDIC — Comex Stat, 06/11/2026 · exportações para os EUA (fonte primária)
- Comércio exterior: origem e destino — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · variações e participações (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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