Em Nova Mamoré (RO), três pessoas foram presas em flagrante e um caminhão com madeira foi inutilizado. Em Nova Olímpia (MT), a polícia cumpriu mandado de busca em investigação sobre venda de madeira.
O que aconteceu
A Polícia Federal informou que, em 2 e 3 de novembro, prendeu em flagrante três pessoas dentro da Terra Indígena Igarapé Lage, em Nova Mamoré (RO), num caso de extração ilegal de madeira. Um caminhão carregado de madeira foi inutilizado, e os agentes recolheram ainda dois veículos (um carro e uma moto) e aparelhos de comunicação. A ação, chamada Operação Vigília, teve participação da Funai e de unidades da Polícia Militar de Rondônia e integra um conjunto de ações na faixa de fronteira. Segundo a PF, os presos podem responder por associação criminosa, desmatamento e extração ilegal de madeira (Polícia Federal).
Em Mato Grosso, a PF deflagrou em 6 de novembro a Operação Hybris, que investiga a suposta retirada e venda de madeira da Terra Indígena Enawene Nawe. Foi cumprido um mandado de busca da Justiça Federal num endereço ligado a um investigado, em Nova Olímpia, com apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros. Segundo a polícia, existem registros em vídeo de conversas nas quais o investigado trata da venda de madeira (HiperNotícias).
Contexto
As duas investigações continuam, e a polícia não divulgou nomes nos comunicados lidos pelo observatório. O g1 lembrou que, segundo o Instituto Socioambiental, a área desmatada dentro da Terra Indígena Enawene Nawe somava 3.247 hectares até 2024; o número é um acumulado de vários anos, não um resultado da operação (g1).
Rondônia e Mato Grosso exportaram, cada um, cerca de US$ 47 milhões a US$ 48 milhões em madeira trabalhada de janeiro a setembro de 2026, pelo domicílio das empresas (estados; cálculo sobre o Comex Stat). Os casos policiais não indicam se a madeira apreendida tinha como destino o mercado interno ou a exportação.
Por que importa para o setor
Madeira tirada sem autorização de área protegida — é o que a PF investiga em Mato Grosso — não tem como comprovar origem legal. Cada caso desse tipo reforça a cobrança de compradores estrangeiros por rastreabilidade.
Para empresas que exportam madeira nativa da Amazônia, a pressão vem de dois lados: das regras dos mercados de destino — Lei Lacey nos EUA, regulamento antidesmatamento na União Europeia a partir de 30 de dezembro de 2026 — e da reputação do produto brasileiro como um todo (regras). Documentação completa e fornecedores verificados são a defesa possível.
O que acompanhar
- O andamento das investigações e eventuais denúncias do Ministério Público Federal.
- A fiscalização de cargas de madeira nativa nas estradas e nos postos de controle, como no caso de Cuiabá.
- As regras de origem dos mercados de destino, na página Regras e normas.
Fontes
- Operação integrada prende três pessoas e inutiliza caminhão com madeira retirada de Terra Indígena em Nova Mamoré/RO — Polícia Federal (gov.br), 04/11/2026 · operação em Rondônia (Notícia, comunicado oficial)
- Operação investiga comércio ilegal de madeira retirada de terra indígena em MT — HiperNotícias, 06/11/2026 · operação em Mato Grosso (Notícia)
- PF investiga venda ilegal de madeira em terra indígena de MT — g1 Mato Grosso, 06/11/2026 · contexto do território, dados do ISA (Notícia)
- Estados e municípios: Rondônia e Mato Grosso — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · exportação dos dois estados (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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