Receita Federal, Anvisa e Vigiagro vão indicar representantes para mapear capacidade e procedimentos de transferência de cargas em emergência. A Facisc admite que nenhum porto absorve toda a demanda.
O que aconteceu
A Facisc, federação que reúne as associações empresariais catarinenses, reuniu-se em 3 de novembro com representantes da Receita Federal, da Anvisa e da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) para preparar uma resposta caso as chuvas ligadas ao El Niño voltem a fechar o acesso aos portos de Itajaí e Navegantes. Os três órgãos vão indicar representantes para um gabinete de crise, que deve mapear a capacidade de atendimento e definir como transferir cargas para outros portos numa emergência (NSC Total).
No dia seguinte à reunião, a barra de Itajaí foi fechada por correnteza forte, com navios à espera para entrar e sair do complexo.
Contexto
Segundo o jornal DIARINHO, a Receita Federal disse que pode deslocar pessoal e baixar uma norma local, nos moldes da já aplicada em Itajaí, que permita mover carga de um recinto alfandegado para outro numa emergência; também vai estudar que travas do sistema aduaneiro impedem essas mudanças depois que a declaração de importação é registrada (DIARINHO).
A federação quer saber se há servidores para reforçar terminais como Imbituba e Itapoá, caso recebam cargas desviadas. Um diretor da Facisc reconheceu, nas duas reportagens, que nenhuma contingência absorve toda a demanda de Itajaí e Navegantes e que os demais portos também operam perto do limite. A referência é outubro de 2023, quando o acesso ficou bloqueado durante 16 dias e mais de 40 embarcações deixaram de atracar (NSC Total).
Mais ao norte, o Porto de São Francisco do Sul informou ter terminado em outubro a obra que aprofundou o canal que leva à Baía da Babitonga, segundo comunicado divulgado na imprensa (Click Xaxim).
Por que importa para o setor
Para a indústria madeireira catarinense, que exportou US$ 846,2 milhões em madeira trabalhada de janeiro a setembro de 2026 (Santa Catarina; cálculo sobre o Comex Stat), um plano de contingência combinado antes da cheia vale mais que um improvisado durante. Mudar de porto não é só mudar de cais: envolve reservas com o armador, transporte rodoviário até outro terminal, liberação aduaneira e, em alguns casos, inspeção fitossanitária, onde entra a Vigiagro.
Como os portos alternativos também estão próximos do limite, segundo a própria Facisc, o exportador que depende de Itajaí e Navegantes tende a disputar espaço numa crise. Ter rotas e despachantes alternativos já mapeados reduz o tempo perdido.
O que acompanhar
- A instalação do gabinete de crise e a portaria da Receita Federal para transferências entre recintos.
- A situação do canal de Itajaí, tratada na notícia sobre o fechamento da barra.
- As queixas de exportadores sobre cobranças de contêineres, na notícia sobre a reunião da Abimci com a Antaq.
Fontes
- Quatro navios aguardam por manobras após forte correnteza fechar canal de acesso ao Porto de Itajaí — NSC Total, 05/11/2026 · reunião de 3/11 e gabinete de crise (Notícia)
- Itajaí e Navegantes poderão ter cargas desviadas pra outros portos em emergências — DIARINHO, 06/11/2026 · medidas da Receita Federal (Notícia)
- Porto de São Francisco apresenta investimentos de R$ 558 milhões em congresso internacional — Click Xaxim (comunicado do Porto de São Francisco do Sul), 06/11/2026 · dragagem da Baía da Babitonga (Notícia)
- Estados e municípios: Santa Catarina — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · exportação de Santa Catarina (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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