Em reunião com 120 participantes, a agência disse que o setor responde por cerca de 63% dos conhecimentos de embarque nas denúncias. A maioria trata de detention na exportação, concentrada nos portos do Sul.
O que aconteceu
A Abimci, entidade nacional da indústria de madeira processada mecanicamente, reuniu seu Comitê de Logística com técnicos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para discutir o custo do frete marítimo e cobranças consideradas indevidas na exportação em contêineres. Segundo a associação, 120 pessoas participaram, entre elas industriais do setor (Abimci).
No encontro, de acordo com o relato da Abimci, a Antaq apresentou dados do seu grupo especializado de fiscalização de contêineres: as manifestações recebidas pela ouvidoria passam de 3.500, e a madeira processada responde por cerca de 63% dos conhecimentos de embarque (BLs) citados nas denúncias, o que faz do setor o maior demandante de fiscalização (Abimci).
Contexto
Ainda segundo os dados apresentados, 80% das queixas tratam de detention na exportação — a cobrança pelo tempo em que o exportador fica com o contêiner além do prazo livre — e 20% de demurrage na importação. Por porto, Itapoá concentra 36% dos registros, Paranaguá 32%, Santos 15% e Navegantes 13% (Abimci).
A agência também falou do rito sumário de autocomposição, criado por acórdãos de 2025 e 2026: antes de um processo sancionador, o usuário contesta a cobrança diretamente com quem a emitiu e há um prazo inicial de 15 dias para acordo. Segundo a Antaq, até outubro foram 302 conciliações bem-sucedidas, com cancelamento de faturas acima de R$ 27 milhões, e 556 dos 811 processos em andamento no grupo seguem esse rito (Abimci).
As empresas relataram transferência de reservas já confirmadas para o mês seguinte, mudança da data usada para fixar o frete, falta de janelas para devolver contêineres vazios e custos de inspeção no canal vermelho.
Por que importa para o setor
Santa Catarina e Paraná, cujos portos aparecem no topo das queixas, respondem por 76% da madeira trabalhada exportada pelo Brasil de janeiro a setembro de 2026 (estados; cálculo sobre o Comex Stat). Para produtos de baixo valor por contêiner, como compensados e serrados, uma cobrança de detention ou uma reserva rolada para o mês seguinte pesa na margem de cada embarque.
O caminho apresentado pela Antaq exige organização: contestar formalmente cada cobrança, guardar provas (datas de gate-in, janelas recusadas, comunicações do armador) e registrar a manifestação na ouvidoria. Os números de cancelamento indicam que o procedimento funciona para quem documenta.
O que acompanhar
- Novas decisões da Antaq sobre cobranças na logística de contêineres e a ampliação do rito de autocomposição.
- A situação dos portos de Itajaí e Navegantes no período de chuvas, acompanhada nas notícias do observatório.
- O peso de cada estado nas exportações, na página Estados e municípios.
Fontes
- Setor madeireiro e Antaq debatem gargalos logísticos e avanços regulatórios na exportação de contêineres — Abimci, 03/11/2026 · reunião e dados apresentados pela Antaq (Notícia, relato da associação)
- Estados e municípios: Santa Catarina e Paraná — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · peso do Sul na exportação (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
Abrir o Observatório Exportação de Madeira › · Todas as notícias ›




