A unidade da Receita no aeroporto internacional de São Paulo concentrou 97,4% do valor do ouro exportado de janeiro a outubro. O metal vem sobretudo de Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Pará.
O que aconteceu
Com os dados de outubro publicados em 6 de novembro, o Comex Stat permite fechar dez meses de 2026: de janeiro a outubro, a unidade da Receita Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, despachou US$ 7,44 bilhões em ouro exportado, 97,4% do valor total da posição 7108 (Comex Stat). A segunda unidade foi a do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, com US$ 197,6 milhões (2,6%). As demais, como Belo Horizonte e Viracopos, somaram valores residuais.
Só em outubro, Guarulhos ficou com 97,8% do valor exportado de ouro e Manaus com 2,2% (cálculo NanoIris). No mesmo período de 2025, a fatia de Guarulhos tinha sido de 97,9%: a concentração não é novidade, é estrutural.
Contexto
O ouro não nasce em São Paulo. Pelo estado do exportador, Minas Gerais respondeu por 48,7% do valor exportado de janeiro a outubro, Bahia por 14,1%, Mato Grosso por 9,8% e Pará por 8,3% (Comex Stat). Entre a origem e o embarque há, portanto, uma perna doméstica que leva o metal até o terminal de cargas de Guarulhos.
O padrão vale para quase todo o perímetro que o observatório acompanha (ouro, prata, platina, diamantes, pedras, pérolas, joias, relógios e arte): 95,1% do valor exportado até outubro passou por Guarulhos e 98,7% saiu por via aérea. A via declarada como «em mãos», quando o bem viaja com uma pessoa, somou US$ 53,4 milhões, 0,6% do total (portas e vias).
Os destinos do ouro no acumulado do ano foram Canadá (44,9% do valor), Suíça (24,8%), Reino Unido (11,8%) e Emirados Árabes Unidos (7,9%) (países).
Por que importa para o setor
A concentração em um único terminal define a logística de valores do ouro no Brasil: transporte terrestre ou aéreo doméstico até São Paulo, custódia no aeroporto até o despacho, e voo internacional. Cada etapa tem seu prestador e seu seguro, e o ponto em que tudo converge é o mesmo.
Para transportadoras e custodiantes, isso significa demanda concentrada e previsível, mas também risco concentrado: um problema operacional ou de segurança no terminal de cargas afeta quase toda a exportação. Por ali passa também uma parte das importações de relógios (26,7% do valor até outubro, Comex Stat), o que explica por que casos de desvio de carga no aeroporto interessam a todo o setor (um caso recente).
O que acompanhar
- Se Manaus ou outras unidades ganham participação em 2026, o que mudaria as rotas domésticas.
- A participação dos estados de origem, em especial do Pará, onde a Polícia Federal fez buscas contra o comércio ilegal de ouro em outubro (operações da PF).
- Mudanças nos controles de carga da Receita nos aeroportos.
Fontes
- Exportações por posição SH4, unidade da Receita de despacho, via e estado, janeiro a outubro de 2025 e 2026 — MDIC — Comex Stat, 06/11/2026 · valores por porta, via e estado (fonte primária)
- Comércio exterior: portos e aeroportos — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · participações (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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