Pelo Comex Stat, o Brasil vendeu US$ 128,2 milhões em joias e artefatos de ourivesaria em dez meses. Outubro, sozinho, ficou abaixo do mesmo mês de 2025, enquanto as importações do mês subiram.
O que aconteceu
As exportações brasileiras de joias, artefatos de ourivesaria e obras de pedras preciosas (posições 7113, 7114 e 7116) somaram US$ 128,2 milhões de janeiro a outubro de 2026, contra US$ 85,3 milhões nos mesmos meses de 2025, segundo os dados do Comex Stat atualizados em 6 de novembro (Comex Stat). A alta é de 50,4% em valor; o peso exportado caiu 9,5%, de 920.478 para 833.463 quilos (cálculo NanoIris).
Os Emirados Árabes Unidos compraram US$ 68,6 milhões, 53,5% do total do ano, contra 43,1% no mesmo período de 2025. Os Estados Unidos vêm em segundo, com US$ 24,7 milhões (19,3%), e Hong Kong em terceiro, com 6,6% (destinos).
Contexto
O mês de outubro não seguiu a tendência do ano: as exportações de joias ficaram em US$ 9,0 milhões, 21,2% abaixo de outubro de 2025 (Comex Stat). Nas importações aconteceu o contrário: o Brasil comprou US$ 17,7 milhões em joias no mês, 55,1% a mais que um ano antes, embora no acumulado do ano as compras externas estejam quase estáveis (US$ 100,7 milhões, mais 2,8%).
As joias importadas vêm sobretudo de Itália (21,9% do valor no ano), França (21,7%), Tailândia (19,4%) e Estados Unidos (18,0%). A França ganhou espaço: tinha 15,0% nos mesmos meses de 2025 (origens).
Valor subindo com peso caindo indica peças de maior valor por quilo, seja pelo conteúdo de metal, seja pelo tipo de peça. O Comex Stat não informa o teor de ouro nem o tipo de joia, por isso a explicação fica em aberto. A alta acompanha a do ouro exportado, que cresceu 50,0% em valor no mesmo período (ouro em outubro).
Por que importa para o setor
Para a logística de valores, uma joia exportada é uma carga pequena e cara, que pede seguro e custódia. Neste ano, 87,3% do valor exportado de joias saiu por via aérea e 6,9% foi declarado «em mãos», quando a mercadoria viaja com uma pessoa (vias de transporte). A concentração em um destino, como os Emirados, simplifica rotas e permite consolidar embarques; ao mesmo tempo, deixa o fluxo dependente de um único mercado comprador.
Do lado das importações, a alta de outubro pode ter relação com as compras para o fim do ano, mas é só uma hipótese: com um único mês, não dá para afirmar que é tendência.
O que acompanhar
- Se os Emirados mantêm mais da metade do valor exportado nos últimos meses do ano.
- O comportamento das importações em novembro, para ver se a alta de outubro se repete.
- A relação entre o valor das joias exportadas e o valor do ouro no mesmo período.
Fontes
- Exportações e importações das posições 7113, 7114 e 7116 (joias, ourivesaria e obras de pedras), por país, 2025 e 2026 — MDIC — Comex Stat, 06/11/2026 · valores e países (fonte primária)
- Comércio exterior: origem e destino — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · variações e participações (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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