A medida provisória permite emprestar até R$ 13,5 bilhões a mais e cita florestas plantadas entre os setores atendidos. Ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado até 18 de novembro.
O que aconteceu
A comissão mista do Congresso que analisava a Medida Provisória 1379/26 aprovou o texto em 5 de novembro de 2026. A MP viabiliza a terceira edição do Plano Brasil Soberano, criado para reduzir os efeitos das sobretaxas americanas sobre quem exporta do Brasil, oferecendo crédito com juros subsidiados (Agência Câmara).
Segundo a relatoria, citada pela Agência Câmara, as duas primeiras edições atenderam mais de 1.700 operações, e a terceira eleva em até R$ 13,5 bilhões o volume que pode ser emprestado, com dinheiro do Tesouro e do BNDES. Para não perder a validade, a MP precisa ser votada nos plenários da Câmara e do Senado até 18 de novembro (Agência Câmara).
Contexto
As linhas podem financiar capital de giro, máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação, adaptação de produtos e processos, e a abertura e prospecção de mercados. Na terceira edição, o programa passa a atender também exportadores prejudicados por conflitos internacionais e setores considerados estratégicos. Entre os setores citados estão as florestas plantadas, ao lado de agricultura, pecuária, química, têxtil, máquinas e automotivo (Agência Câmara).
A madeira está no grupo de produtos mais expostos: segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, «vários tipos de madeira» e móveis estão entre as exportações alcançadas ao mesmo tempo pelas duas sobretaxas da Seção 301, somando 37,5% (MDIC). No acumulado de janeiro a setembro, a madeira trabalhada vendida aos EUA caiu 32,3%, para US$ 720,6 milhões (destinos; cálculo sobre o Comex Stat).
Por que importa para o setor
Para indústrias de molduras, portas e compensados com vendas concentradas nos EUA, o crédito subsidiado não resolve a perda de margem causada pela tarifa, mas pode financiar a transição: capital de giro enquanto os pedidos caem, adaptação de produtos para outros mercados e prospecção comercial. A menção explícita às florestas plantadas e a abertura para «adaptação de produtos» são pontos que o setor pode usar na negociação com os bancos operadores.
O texto aprovado na comissão ainda pode mudar nos plenários. As condições finais — taxas, prazos, critérios de elegibilidade e a forma de comprovar o prejuízo com o tarifaço — dependem da lei de conversão e da regulamentação posterior.
O que acompanhar
- A votação da MP 1379/26 nos plenários da Câmara e do Senado, com prazo até 18 de novembro (Agência Câmara); depois, a sanção e o texto final da lei.
- A regulamentação das linhas pelo BNDES e as condições para o setor de base florestal.
- As sobretaxas por código, na página de tarifas do observatório.
Fontes
- Comissão mista aprova terceira edição de plano para auxiliar exportadores atingidos pelo tarifaço norte-americano — Agência Câmara de Notícias, 05/11/2026 · aprovação na comissão e conteúdo da MP (Lido na fonte oficial)
- Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras — MDIC, 24/07/2026 · alcance das sobretaxas sobre a madeira (Lido)
- Destinos: Estados Unidos — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · exportação de madeira aos EUA (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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