No acumulado do ano, os Estados Unidos recebem 35% da madeira trabalhada exportada pelo Brasil, contra 46% nos mesmos meses de 2025.
O que aconteceu
Em setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 78,7 milhões em madeira trabalhada para os Estados Unidos, nas nove posições do capítulo 44 acompanhadas pelo observatório. Em agosto foram US$ 76,5 milhões. Nos quatro meses anteriores, de abril a julho, os embarques mensais para o mercado americano ficaram entre US$ 94,8 milhões e US$ 107,3 milhões (destinos; cálculo sobre o Comex Stat).
Na soma de janeiro a setembro, as vendas aos EUA chegam a US$ 720,6 milhões, 32,3% a menos que nos mesmos meses de 2025 (US$ 1.064,9 milhões). Com isso, a parcela americana no total exportado pelo setor passa de 46,4% para 35,0% (destinos).
Contexto
A série mensal mostra três fases em 2026. De janeiro a março, os embarques aos EUA ficaram entre US$ 52 milhões e US$ 54 milhões por mês. De abril a julho, praticamente dobraram. Em agosto e setembro, recuaram para perto de US$ 77 milhões (série mensal). Comparado a setembro de 2025 (US$ 65,5 milhões), o mês de 2026 é maior, mas aquele mês já mostrava queda forte em relação ao primeiro semestre de 2025, quando os embarques aos EUA ficaram entre US$ 96 milhões e US$ 155 milhões por mês (série mensal).
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a sobretaxa de 25% resultante da investigação americana da Seção 301 contra o Brasil passou a valer a partir de 22 de julho de 2026, e uma segunda, de 12,5%, foi aplicada no caso do trabalho forçado; quando atingem o mesmo produto, as duas se somam e chegam a 37,5%. A nota do ministério cita «vários tipos de madeira» e móveis entre os produtos alcançados pelas duas medidas (MDIC).
A situação de cada código, posição por posição, está na página de tarifas do observatório.
Por que importa para o setor
O mercado americano continua sendo o maior destino, mas pesa menos do que pesava. A queda de agosto coincide com o primeiro mês cheio das sobretaxas de julho; o salto de abril a julho, por sua vez, coincide com o período em que valia a tarifa temporária de 10% da Seção 122 (de 24 de fevereiro a 24 de julho, segundo o MDIC) e pode refletir também antecipação de compras pelos importadores antes da mudança. A série de exportação não separa esses movimentos de outros fatores, como estoques nos EUA e câmbio, e um ou dois meses são pouco para falar em tendência.
Para exportadores com carteira concentrada nos EUA, o dado reforça a importância de acompanhar o preço líquido (depois da tarifa) e a fatia dos compradores americanos em cada linha de produto, não só o volume.
O que acompanhar
- O resultado de outubro no Comex Stat, para ver se o patamar de agosto e setembro se mantém.
- A parcela mensal dos EUA e os destinos que ganham espaço.
- Mudanças nas exceções tarifárias por código, na página de tarifas.
Fontes
- Exportações por NCM, país e mês, posições SH4 4407 a 4421 (API pública) — Comex Stat (MDIC/Secex), 02/11/2026 · valores mensais por destino (fonte primária)
- Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras — MDIC, 24/07/2026 · datas e alcance das sobretaxas (Lido na fonte oficial)
- Destinos e parcela mensal dos EUA — NanoIris, a partir do Comex Stat, 06/11/2026 · somas e parcelas (Calculado)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 06/11/2026.
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