Quatro anos depois do ataque do tipo «novo cangaço» no sul de Minas, o Ministério Público Federal ampliou a denúncia e a Justiça aceitou. O caso inclui cédulas e joias do penhor levadas da agência.
O que aconteceu
A Justiça Federal recebeu uma nova denúncia do Ministério Público Federal e transformou em réus 14 acusados de pertencer ao grupo armado que atacou a agência da Caixa no centro de Itajubá, cidade do sul de Minas, na noite de 22 para 23 de junho de 2022 (g1 Sul de Minas). A decisão foi noticiada em 22 de outubro de 2026.
Segundo a denúncia descrita pelo g1, a ação combinou cerco ao batalhão da Polícia Militar, com veículos queimados na frente do quartel, bloqueios nas rotas de fuga, tiros de fuzil contra policiais e explosivos de uso industrial na agência. Um civil atingido por tiro morreu dias depois e cinco policiais ficaram feridos. Da agência foram levados dinheiro em espécie e joias guardadas no setor de penhor. Um integrante preso na fuga em 2022 já foi condenado, decisão mantida em segunda instância.
Contexto
Ataques desse tipo, com ocupação de uma cidade pequena ou média, miram agências com tesouraria e cofres. Do lado da segurança privada, o elo mais exposto é o numerário: abastecimento de caixas eletrônicos, recolhimento e custódia, serviços de transportadoras autorizadas pela Polícia Federal.
A frota que faz esse trabalho encolheu no último ano. A Polícia Federal registrava 3.036 carros-fortes ativos em outubro de 2026, 187 a menos que em setembro e 423 a menos que em outubro de 2025 (PF, GESP; variação calculada pela NanoIris, transporte de valores). O regulamento do Estatuto obriga as agências que atendem o público e guardam numerário a ter segurança própria autorizada ou a contratar empresa especializada, e prevê a aprovação de um plano de segurança pela PF (Decreto 13.012/2026, arts. 59 e 62).
Por que importa para o setor
O processo de Itajubá não é um fato novo de violência, e sim um passo da Justiça sobre um caso antigo. Mas mostra como esses ataques continuam pesando sobre bancos e transportadoras: na exigência de planos de segurança, em seguros, na decisão de onde manter numerário e em quanto dinheiro circula em cada rota.
Para as transportadoras, cada ataque a agência ou a carro-forte em uma região costuma se refletir em escoltas reforçadas, rotas revistas e prêmios de seguro mais altos, custos que entram na proposta das concorrências seguintes.
A redução de carros-fortes ativos pode ter várias causas, como consolidação de empresas, menos numerário em circulação ou atualização de cadastro, e o observatório não atribui o movimento a um motivo sem fonte.
O que acompanhar
- O andamento da ação penal na Justiça Federal e eventuais novas denúncias ligadas ao grupo.
- A série mensal de carros-fortes da Polícia Federal, em transporte de valores.
- As concorrências regionais de transporte de valores da Caixa abertas em outubro, com prazos até 23 de novembro (lista de editais).
Fontes
- Justiça Federal aceita denúncia contra 14 acusados de participação em ataque à Caixa em Itajubá — g1 Sul de Minas, 22/10/2026 · denúncia e ação penal (Notícia)
- Novo Cangaço: Justiça torna réus 14 suspeitos de ataque em MG que deixou um morto — O Tempo, 22/10/2026 · mesmo fato (Notícia)
- Carros-fortes ativos — Polícia Federal (GESP, dados abertos), 01/11/2026 · frota de carros-fortes (Lido)
- Regulamento da Lei 14.967/2024: segurança das instituições financeiras — Planalto — Decreto 13.012/2026, 09/06/2026 · plano de segurança das agências (Lido)
Texto escrito pela NanoIris a partir das fontes acima, lidas em 03/11/2026.
Abrir o Observatório Mercado de Segurança › · Todas as notícias ›




